
“Wien, Wien, nur du allein…”
Viena é uma cidade que não se impõe, ela envolve. Entre palácios dourados, cúpulas verdes e cafés centenários, a capital austríaca mistura a grandiosidade dos Habsburgo com uma leveza quase poética no jeito de viver. É caminhar como quem passeia por um museu a céu aberto, atravessar os jardins de Schönbrunn com o som distante de alguma música no ar, e entrar em salões onde Mozart e Sissi ainda parecem sussurrar pelas paredes. Viena parece cenário de filme, mas é daquelas histórias que a gente vive por dentro. A luz dourada nos prédios ao fim da tarde, o som distante de um violino no metrô, o vapor saindo de uma xícara de vinho quente enquanto a vida passa devagar pelas ruas. Viena não termina quando a viagem acaba; ela vira lembrança recorrente, daquelas que visitam a gente em dias comuns e deixam tudo mais bonito.
O relato abaixo é totalmente baseado na minha experiência e no que eu planejei para esta viagem e obviamente pode ser adaptado de acordo com o perfil de cada um.
- Quando Eu Fui?
- Como Chegar a Viena?
- Onde Fiquei Hospedada?
- Viena Pass
- Roteiro Detalhado – Viena (5 dias)
- Roteiro no Mapa
- Orçamento Final
- Veja Também
Quando Eu Fui?
Antes de falar do roteiro em si, preciso dizer: a época em que eu visitei Viena mudou completamente a experiência. Eu estive na cidade entre 21 e 25 de novembro, ou seja, bem no comecinho da temporada de Natal, e foi simplesmente mágico. Viena já é uma cidade imperial, elegante e histórica por natureza, mas nessa época ela ganha uma camada extra de charme que é difícil de explicar. As ruas estavam iluminadas, as praças cheias de feirinhas natalinas e aquele cheiro constante de vinho quente, comida de rua e doces no ar. O frio estava presente de verdade. Peguei temperaturas baixas, neve, clima típico de outono virando inverno europeu, e a cidade com aquele clima aconchegante que faz você querer entrar em cafés históricos só para se aquecer e existir ali por um tempo. Em alguns momentos, a cidade parecia mais silenciosa, quase cinematográfica, especialmente de manhã cedo. Os mercados de Natal já estavam funcionando, e eles não são um detalhe: eles viram parte da rotina da cidade. As pessoas se encontram ali depois do trabalho, turistas e locais misturados, todo mundo de casaco pesado segurando uma caneca quente. A vibe não é de cidade caótica ou festa exagerada, é um clima elegante, acolhedor e muito europeu, daqueles que fazem você andar sem pressa só para absorver o cenário. Fiquei 5 dias na cidade, e achei que para uma primeira visita foi o tempo ideal para conhecer os principais pontos com calma.
Como Chegar a Viena?
Saindo do Brasil, não existe voo direto para Viena, então é preciso fazer pelo menos uma conexão na Europa.
Eu saí de São Paulo (GRU) e fiz conexão em Madrid antes de chegar na capital austríaca. As conexões mais comuns costumam acontecer em grandes hubs como Lisboa, Frankfurt, Paris, Madrid, Amsterdã ou Zurique, então é uma rota relativamente simples de montar. No geral, é aquela clássica viagem Brasil → Europa: voo longo (cerca de 10 a 11 horas até o primeiro destino europeu) + um segundo voo mais curto até Viena, normalmente entre 1h e 2h de duração. Parece cansativo no papel, mas achei o trajeto bem tranquilo, porque Viena é um destino super bem conectado dentro da Europa. O Aeroporto de Viena (VIE) é moderno, organizado e fácil de se localizar. Depois de chegar, é muito simples ir do aeroporto para o centro. Eu usei transporte público e foi rápido, eficiente e sem complicação: um ônibus especial do aeroporto, onde o ponto fica logo na saída do desembarque, que me deixou praticamente na rua do hotel onde fiquei hospedada.
Onde Fiquei Hospedada?
Fiquei hospedada no Hotel Marc Aurel, que tem uma localização excelente no centro de Viena, bem próxima do coração histórico da cidade. É uma região super estratégica para explorar tudo a pé, com fácil acesso ao metrô e a várias atrações turísticas importantes, além de estar cercada por ruas históricas, cafés e pontos clássicos da cidade. Isso facilitou muito a logística, especialmente para passeios à noite e para encaixar várias atrações no mesmo dia sem perder tempo com deslocamento. O hotel é simples, mas bem funcional. Os quartos são confortáveis, limpos e ideais para quem passa o dia inteiro explorando e quer praticidade e uma boa noite de descanso. Funcionou exatamente como eu precisava: um lugar tranquilo, seguro e bem localizado para recarregar as energias. Também tem ótimo café da manhã incluso na diária. As diárias costumam variar conforme a época e o tipo de quarto, mas ficam em média entre €120 e €195. No geral, achei o custo-benefício muito bom, principalmente pela localização estratégica, que impactou diretamente na forma como aproveitei a cidade. Gostei bastante da experiência e me hospedaria lá novamente em uma próxima viagem a Viena.

Quarto Individual no Hotel Marc Aurel – Viena
Viena Pass
Antes começar a falar sobre o roteiro, vale uma explicação sobre o Vienna Pass: é um cartão turístico que dá entrada gratuita em dezenas de atrações de Viena + ônibus hop-on hop-off ilimitado durante os dias de validade (1, 2, 3 ou 6 dias consecutivos). Você não compra ingresso separado: só mostra o passe e entra. Eu paguei 148 € pelo passe de 3 dias (isso em novembro de 2025 – visite o site para ver os valores atuais) e no meu roteiro, ele se pagou fácil. Só somando os ingressos de alguns dos lugares que visitei (Palácio de Schönbrunn, Zoológico de Schönbrunn, Hofburg (Museu Sisi), Belvedere, Kunsthistorisches, Albertina, Biblioteca Nacional, Mozarthaus, Haus der Musik, Roda Gigante do Prater) eu gastaria algo em torno de €180+ comprando tudo avulso. Ou seja: para esse roteiro valeu a pena.
✅ Vale a pena se: você quer fazer vários palácios e museus em poucos dias (roteiro cultural intenso).
❌ Não compensa se: vai entrar em poucas atrações pagas.
No meu caso, foi praticidade + economia real.
PS: Algumas atrações precisam de agendamento, mesmo com o Viena Pass (Museu Sisi, Ópera de Viena e Palácio de Schönbrunn), e alguns desses agendamentos são presenciais. Não esqueça de fazê-lo para conseguir visitar os lugares.
Roteiro Detalhado – Viena (5 dias)
Dia 1 – (Noite)
- Stephansplatz
- Catedral de Santo Estevão
- Leopoldsbrunnen
- Wierner Pestsaule
- Kohlmarkt
- Karlsplatz
- Concerto Das Quatro Estações De Vivaldi na Karlskirche
Cheguei no final da tarde em Viena, e minha primeira noite já começou intensa, e isso diz muito sobre a cidade. Comecei pela Stephansplatz, a praça onde tudo parece girar em Viena. É ali que a cidade antiga pulsa: artistas de rua, carruagens passando, turistas olhando pra cima o tempo todo e aquele contraste entre o medieval e o moderno acontecendo ao mesmo tempo. É uma praça que não é só um ponto turístico, é um ponto de referência emocional da cidade. Logo ali está a Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom), que domina completamente o cenário. É uma igreja gótica gigante no meio da cidade que sobreviveu a guerras, incêndios e bombardeios da Segunda Guerra Mundial. A torre sul tem mais de 130 metros de altura, e por séculos foi o prédio mais alto da cidade, e Viena mantém até hoje regras rígidas para preservar essa silhueta histórica. E como eu estava lá no fim de novembro, a praça estava ainda mais especial por causa do mercado de Natal da Stephansplatz. As barraquinhas, as luzes, o cheiro de comida quente no frio… foi meu primeiro contato com o clima natalino vienense. Diferente de mercados enormes como o da Rathausplatz, esse é mais integrado ao cenário histórico, então você está ali entre construções medievais, segurando uma bebida quente, com a catedral iluminada atrás. Foi perfeito para entrar no clima natalino.



Stephansdom e Stephansplatz
De lá, fui andando pela região central e cheguei ao Leopoldsbrunnen, uma fonte histórica que muita gente passa direto, mas que faz parte daquele cenário clássico vienense de esculturas, pedra e arquitetura imperial. Viena tem essa característica: até os “detalhes” são monumentos. Seguindo a caminhada, passei pela Wiener Pestsäule (Coluna da Peste), um dos monumentos mais simbólicos da cidade. Ela foi erguida no século XVII como agradecimento pelo fim de uma epidemia de peste que devastou Viena. Esse tipo de coluna é comum na Europa Central, mas a de Viena é especialmente elaborada, cheia de esculturas dramáticas e figuras religiosas, é quase um “monumento ao medo coletivo” transformado em arte barroca.



Wiener Pestsäule e Leopoldsbrunnen
Depois, caminhei pela Kohlmarkt, uma das ruas mais elegantes da cidade. Historicamente, essa era a rua onde a aristocracia comprava produtos finos. Hoje continua sofisticada, cheia de lojas de alto padrão, vitrines chiques, mas o que mais chama atenção é a vista no final da rua: ela emoldura perfeitamente a cúpula do Hofburg ao fundo. É aquele tipo de perspectiva urbana pensada lá atrás, quando estética e poder andavam juntos.



Kohlmarkt, Hofburg e Decorações Natalinas
A caminhada seguiu até a região de Karlsplatz, onde fica a Karlskirche (Igreja de São Carlos Borromeu), uma das igrejas mais bonitas de Viena. A fachada mistura elementos romanos, barrocos e clássicos, e as colunas na frente são inspiradas na Coluna de Trajano, em Roma. E ali estava também um dos mercados de Natal mais lindos que vi na cidade. O mercado da Karlsplatz é maior que o da Stephansplatz e tem uma atmosfera diferente: mais espaço, mais barraquinhas e a Karlskirche como pano de fundo. Fica aquele contraste maravilhoso entre arquitetura barroca monumental e a vibe aconchegante das luzes, comidas típicas, crianças brincando no feno e pessoas circulando com canecas quentes nas mãos. E foi nesse cenário que a noite fechou de forma perfeita, assistindo ao Concerto “As Quatro Estações”, de Vivaldi, dentro da Karlskirche. Comprei pelo Get Your Guide, e paguei 42 euros. Ouvir música clássica ao vivo já é especial, mas ouvir em uma igreja barroca, em Viena, cercada por todo esse clima natalino do lado de fora, elevou a experiência para outro nível. Viena é conhecida como a cidade da música, por séculos, foi um dos maiores centros musicais da Europa. Grandes compositores como Mozart, Beethoven, Schubert, Strauss viveram e trabalharam ali em diferentes períodos. A cidade era sede da corte dos Habsburgo, que investia pesado em arte e cultura, então música clássica não era apenas entretenimento, era parte da estrutura de poder, prestígio e identidade da cidade. Até hoje isso continua muito vivo. Em Viena, música clássica não é atração turística, é herança viva.


Karlskirche
Foi só a primeira noite, mas já deu para entender que Viena não é um destino de checklist. É um lugar para sentir o peso da história, a estética imperial e essa relação muito forte entre arte, religião, poder e cultura que moldou a Europa.
Dia 2
- Biblioteca Nacional Austríaca (Austrian National Library)
- Heldenplatz
- Museu Sisi
- Volksgarten
- Mercado de Natal da Rathausplatz (De dia)
- Hofburg
- Museums Quartier
- Leopold Museum
- Maria Theresien Platz
- Kunsthistorisches Museum
- Relógio Ankeruhr
O segundo dia começou cedo, andando sem pressa pelas ruas ainda calmas de Viena. De manhã cedo, a cidade tem outro ritmo. Menos gente, som de passos ecoando, prédios históricos ganhando luz natural… Viena tem essa elegância silenciosa, quase cinematográfica. A primeira parada foi a Biblioteca Nacional Austríaca (Austrian National Library), e ela é muito mais do que uma biblioteca bonita. O salão principal, o State Hall, foi construído no século XVIII, durante o período do Imperador Carlos VI, da dinastia Habsburgo, e fazia parte do projeto de mostrar o império não só como potência militar, mas também intelectual. O espaço é totalmente barroco, com estantes de madeira que guardam centenas de milhares de volumes históricos, globos antigos e um teto pintado com afrescos que representam a apoteose do imperador. A estátua de Carlos VI bem no centro do salão chama a atenção, como se ele estivesse ali eternamente vigiando aquele “templo do conhecimento”. É quase uma mensagem visual: o saber também sustentava o império. Caminhar ali no meio dá uma sensação de estar dentro de um símbolo da Europa erudita, onde ciência, arte e política estavam completamente conectadas.

Biblioteca Nacional Austríaca – State Hall
De lá, fui para a Heldenplatz, uma praça gigantesca ligada ao complexo do Hofburg, que foi a residência imperial dos Habsburgos por mais de seis séculos e hoje abriga museus, a Biblioteca Nacional e escritórios do presidente da Áustria. O Hofburg é um verdadeiro labirinto de história: ali estão o Salão de Sissi, os Apartamentos Imperiais, o Museu da Prata e até a Escola de Equitação Espanhola, famosa pelos cavalos Lipizzaner. A Heldenplatz, com sua imponência, é linda e monumental, mas carrega um peso histórico grande: foi ali que Hitler fez um discurso em 1938 anunciando a anexação da Áustria à Alemanha nazista. É um espaço onde se percebe claramente a dualidade de Viena: a beleza e o luxo da sua era imperial convivendo com capítulos difíceis da história europeia, lembrando que cada palácio e praça tem suas camadas de passado.



Hofburg e Heldenplatz
Segui então para o Museu Sisi, dentro do Hofburg, e mesmo quem não é fã de monarquia se pega fascinado. A história da Imperatriz Elisabeth é cheia de contrastes e mistérios: considerada um ícone de beleza e elegância, ela vivia cercada de luxo, mas era profundamente infeliz, sofrendo com as rígidas regras da corte e a pressão da família imperial. Obcecada por liberdade, viagens e pelo próprio estilo de vida, Sisi desafiava convenções em sua época, mantendo hábitos rigorosos de beleza e dietas. O museu não mostra apenas vestidos, joias e retratos glamourosos, mas também cartas, diários e objetos pessoais que revelam o lado humano da imperatriz: suas angústias, suas paixões e as tragédias que marcaram sua vida, como a morte de familiares próximos e o assassinato de seu filho. É um mergulho fascinante no que havia por trás da imagem romântica que a história popular criou, lembrando que a vida real de uma rainha também tinha suas sombras.



Museu Sisi
A próxima parada foi o Volksgarten, um respiro verde na cidade. Com jardins em estilo francês, cheios de simetria e elegância clássica, abriga também o Theseustempel, um templo neoclássico inspirado na Grécia Antiga, reforçando essa conexão com a tradição europeia. Entre o famoso jardim de rosas e a estátua da Imperatriz Sisi, o parque mistura herança monárquica, planejamento urbano e vida cotidiana.


Volksgarten
Depois passei pela Rathausplatz, a praça em frente à Prefeitura de Viena (Rathaus), que por si só já impressiona. O prédio é em estilo neogótico e parece um castelo: cheio de torres, detalhes e aquela imponência típica da arquitetura pública do século XIX, quando as cidades queriam demonstrar grandeza até nos edifícios administrativos. Ali acontece o Mercado de Natal mais famosos de Viena. Visitar durante o dia é uma experiência bem diferente da noite. Com luz natural, bem menos gente e um ritmo mais tranquilo, dá para andar com calma entre as barraquinhas, olhar os detalhes do artesanato, observar a decoração e realmente explorar o espaço.


Rathausplatz
No meio do dia, explorei também o Hofburg, que foi o centro do poder dos Habsburgo por mais de 600 anos, então o que você vê ali é praticamente uma linha do tempo arquitetônica do império. Cada ala foi construída em uma época diferente, misturando estilos como gótico, renascentista, barroco e até elementos do século XIX. Além de residência imperial, o Hofburg também concentrava funções políticas, administrativas e cerimoniais. Era o coração de decisões que influenciavam boa parte da Europa Central. Hoje, o complexo ainda tem função pública: abriga a Biblioteca Nacional, museus e até a residência oficial do presidente da Áustria.

Palácio Imperial Hofburg
Seguindo a linha cultural do dia, fui ao MuseumsQuartier, que é um contraste interessante dentro de Viena. Ele ocupa antigas cavalariças imperiais, mas foi transformado em um dos maiores complexos culturais do mundo. Dentro dali visitei o Leopold Museum, que é essencial para entender a arte austríaca. Ele tem uma das maiores coleções de Egon Schiele, artista expressionista conhecido por retratar o corpo humano de forma crua, distorcida e emocionalmente intensa. Também há obras de Gustav Klimt, conectando essa virada artística que Viena viveu no início do século XX, quando deixou de ser só imperial e virou também um polo de vanguarda cultural.



Leopold Museum
Ali ao lado fica a Maria-Theresien-Platz, uma praça monumental com a estátua da Imperatriz Maria Teresa no centro, uma das figuras mais importantes da dinastia Habsburgo. Ela foi a única mulher a governar o império por direito próprio e promoveu reformas importantes em educação, administração e exército. A praça é cercada por dois prédios praticamente espelhados, construídos para mostrar o equilíbrio entre arte e ciência. Um deles é o Kunsthistorisches Museum (Museu de História da Arte), que é um dos museus de belas-artes mais importantes do mundo. Ele foi criado para abrigar as coleções imperiais acumuladas pelos Habsburgo ao longo dos séculos. Lá dentro você encontra obras de mestres como Bruegel, Rembrandt, Vermeer e Caravaggio. Mas o prédio em si já é parte da experiência: escadarias monumentais, cúpula, mármore, pinturas no teto e dentro do museu há uma das cafeterias mais bonitas de Viena. O café fica sob a cúpula central, em um salão super elegante, com decoração clássica, iluminação suave e aquele clima vienense de sentar sem pressa.



Maria-Theresien-Platz e Kunsthistorisches Museum
Fechando o dia, no caminho de volta para o hotel, passei pelo Relógio Anker (Ankeruhr), que é um dos relógios mais curiosos de Viena, que foi construído no início do século XX em estilo Art Nouveau e funciona quase como um espetáculo mecânico. Ao longo do dia, figuras históricas da Áustria “desfilam” no mostrador, cada uma representando um período da história do país. Ao meio-dia, todas passam em sequência com música. É um detalhe que muita gente ignora, mas que mostra como Viena até no tempo consegue misturar arte, história e design.


Relógio Ankeruhr e Monumentos pela Cidade
Dia 3
- Hunderstwasser
- Stadtpark
- Mozart Haus
- Haus der Musik
- Kartnerstrasse
- Ópera de Viena (Vienna State Opera)
- Demel
- Galeria Albertina
- Noite no mercado de natal da Rathausplatz
O terceiro dia começou com um presente: amanheceu nevando. E Viena com neve é maravilhosa. A arquitetura imperial com aquele véu branco por cima transforma tudo num cenário quase teatral. A primeira parada do dia foi a Hundertwasserhaus, que é um choque visual delicioso depois de dois dias de palácios simétricos e arquitetura clássica. O prédio foi projetado pelo artista austríaco Friedensreich Hundertwasser, que era completamente contra linhas retas e defendia que a arquitetura deveria ser mais orgânica, colorida e conectada à natureza. O edifício tem formas irregulares, cores vibrantes, janelas todas diferentes e árvores crescendo em varandas. É quase um manifesto artístico construído em forma de prédio residencial.


Hundertwasserhaus
De lá, fui para o Stadtpark, que é um dos parques mais clássicos de Viena. É ali que fica a famosa estátua dourada de Johann Strauss II, o “Rei da Valsa”. Viena não é chamada de cidade da música à toa, a valsa vienense nasceu ali, e Strauss ajudou a transformar a música de salão em símbolo da cultura da cidade. O parque em si também reflete o século XIX, quando Viena expandia seus espaços verdes para uma população urbana crescente.



Stadtpark
Depois, entrei no universo de Mozart na Mozarthaus Vienna, que é um dos poucos apartamentos do compositor que ainda existem. Ele morou ali entre 1784 e 1787, um período super produtivo da vida dele. O interessante é perceber que, apesar de hoje ser um ícone quase mitológico, Mozart viveu ali como um músico tentando se manter financeiramente em uma cidade competitiva. Viena era o lugar para “dar certo” na música, mas também era exigente. Ainda no eixo musical, visitei a Haus der Musik, que é um museu interativo sobre som e música. Ele não é museu bem interativo, onde você experimenta acústica, testa composição, entende como funciona a audição humana e ainda mergulha na história dos grandes compositores ligados a Viena. É um jeito moderno de contar a história musical da cidade.



Mozarthaus Vienna e Haus der Musik
Segui pela Kärntner Straße, uma das principais ruas comerciais de Viena, que conecta o centro histórico à Ópera. Historicamente, ela fazia parte das rotas que ligavam a cidade murada às regiões do sul. Hoje é cheia de lojas, mas continua sendo um eixo urbano importante, sempre movimentado e servindo como corredor entre o cotidiano moderno e o peso histórico da cidade. No fim da rua está a Ópera Estatal de Viena (Wiener Staatsoper), um dos teatros de ópera mais importantes do mundo. O prédio atual é do século XIX, em estilo neorrenascentista, e sobreviveu a bombardeios na Segunda Guerra Mundial, sendo restaurado depois. Viena tem uma das agendas de ópera mais intensas do planeta. E além das apresentações, a ópera é palco de um dos eventos sociais mais tradicionais da Áustria: os bailes vienenses, especialmente o famoso Vienna Opera Ball. Uma vez por ano, o teatro é transformado em salão de baile, o palco vira pista de dança e a elite austríaca – junto com convidados do mundo inteiro – participa de uma noite formal, com vestidos longos, fraques e valsa. É uma tradição que vem do século XIX e mostra como a cultura de salão e a música continuam fazendo parte da identidade da cidade até hoje.



Ópera Estatal de Viena (Wiener Staatsoper)
Fiz uma pausa estratégica no Café Demel, que é praticamente patrimônio gastronômico da cidade. Fundado no século XVIII, foi confeitaria oficial da corte imperial, então não é só um café: é parte da história da monarquia austro-húngara. Os doces ali não são apenas sobremesa, fazem parte da tradição vienense dos cafés como espaços sociais, culturais e até intelectuais. Ali provei o Kaiserschmarrn, uma das sobremesas mais tradicionais da Áustria. Ele parece uma panqueca “desconstruída”, cortada em pedaços irregulares, polvilhada com açúcar de confeiteiro e geralmente servida com compota de frutas, como ameixa ou maçã.

Kaiserschmarrn da Demel
Depois, fui para a Galeria Albertina, que é aquele combo perfeito de palácio imperial + museu de arte. O prédio já impressiona por si só: ele foi residência dos Habsburgo e pertenceu ao Duque Albert de Saxônia-Teschen e à arquiduquesa Maria Cristina, filha da imperatriz Maria Teresa. A Galeria Albertina abriga uma das coleções gráficas mais importantes do mundo, com um acervo gigantesco de desenhos e gravuras. Tem obras de mestres como Dürer, Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, além de artistas mais modernos como Monet e Picasso. É aquele tipo de lugar em que a arte atravessa séculos numa mesma visita. E as Salas de Estado são um espetáculo à parte: lustres, móveis elegantes, detalhes dourados… dá pra imaginar a aristocracia circulando ali, decidindo o futuro da Europa entre um evento e outro. A visita acaba sendo um encontro bem bonito entre arte, poder e história, tudo dentro de um cenário imperial que já vale a entrada.



Galeria Albertina
O dia foi terminando com aquele momento difícil de descrever: andar por Viena no entardecer, sem um ponto exato, só absorvendo a luz baixando sobre os prédios históricos. A cidade tem uma elegância natural que fica ainda mais evidente nesse horário. À noite, voltei ao mercado de Natal da Rathausplatz, e a diferença é absurda. De dia ele é bonito. À noite ele vira um dos cenários mais mágicos que eu já vi na vida, sem exagero. A prefeitura iluminada já é imponente sozinha, mas no Natal ela vira praticamente o fundo de um conto de fadas. As árvores do parque ficam cobertas de luzes, tem aquela árvore gigante toda decorada, e o famoso coração iluminado onde todo mundo para pra tirar foto. O ar cheira a punsch quente, salsicha, castanhas assadas e doces, aquele combo perfeito de inverno europeu. E não é só um monte de barraquinha: é toda uma tradição vienense dos Christkindlmärkte, que misturam comida, artesanato, música e encontro social. Tem pista de patinação no gelo ali perto, famílias, casais, amigos… É o tipo de lugar em que você percebe que o Natal na Áustria não é decoração, é cultura mesmo, é uma experiência, daquelas que você guarda como memória de viagem pra sempre.



Mercado de Natal da Rathausplatz (Christkindlmärkte) à noite.
Dia 4
- Palácio de Schonbrunn
- Gloriette
- Schönbrunn Zoo
- Naschmarkt
- Palácio Belvedere (Com Mercado de Natal)
- Prater
O quarto dia começou pelo Palácio de Schönbrunn, a antiga residência de verão da família imperial. O lugar até nasceu como pavilhão de caça, mas ganhou a grandiosidade que a gente vê hoje principalmente com Maria Teresa. Foi ali que ela viveu com o marido e… seus 16 filhos – incluindo Maria Antonieta, futura rainha da França. A corte não era só família: era estratégia política em forma de gente. Casamentos ali eram alianças internacionais disfarçadas de romance. Outra Habsburgo ligada a essa tradição foi Maria Leopoldina da Áustria, que mais tarde se tornaria Imperatriz do Brasil ao se casar com Dom Pedro I. Ela cresceu nesse ambiente intelectual e científico da corte austríaca, cercada por educação rigorosa, línguas, botânica e ciências naturais, o que explica por que teve papel político ativo no processo de Independência do Brasil. Lá dentro, os salões são pura ostentação estratégica: ouro, espelhos, porcelanas, tetos pintados. Não era apenas exagero gratuito, era diplomacia visual. O império queria que qualquer visitante entendesse imediatamente o tamanho do poder que estava ali. E no fim de novembro, o cenário ainda ganha um contraste lindo: bem em frente ao palácio acontece o mercado de Natal de Schönbrunn. As barraquinhas ficam montadas na praça com o palácio ao fundo, e a mistura de arquitetura imperial com luzes, árvores decoradas e cheiro de vinho quente deixa tudo com aquela estética de filme europeu de inverno.



Palácio de Schönbrunn
Se o palácio impressiona, os jardins são um espaço de contemplação. Eles seguem o estilo barroco francês, cheios de eixos simétricos, estátuas mitológicas e canteiros milimetricamente planejados. No alto da colina fica a Gloriette, construído como símbolo do poder dos Habsburgo e hoje abriga um café. Mas o verdadeiro prêmio é a vista: dali de cima você enxerga o palácio inteiro alinhado com a cidade ao fundo. Ainda dentro do complexo de Schönbrunn fica o Tiergarten Schönbrunn, o Zoológico de Viena, considerado o zoológico mais antigo do mundo ainda em funcionamento, fundado em 1752 como um zoológico imperial. Originalmente, os animais eram parte do entretenimento e da curiosidade científica da corte. O layout central circular, que ainda existe, foi pensado para que a família imperial observasse os animais a partir de um pavilhão central, quase como um espetáculo da natureza organizado para os olhos da realeza. Hoje ele é super voltado para conservação e pesquisa.



Gloriette e o Tiergarten Schönbrunn (Zoológico)
Depois de tanta monarquia, fui para um dos lugares mais “vida real” da cidade: o Naschmarkt. Ele existe desde o século XVI, mas ganhou esse formato mais estruturado no século XIX, quando Viena cresceu além das muralhas medievais. O nome provavelmente vem de “naschen”, que em alemão significa algo como “beliscar”, o que faz total sentido porque ali você quer provar tudo. São barracas com temperos, queijos, frutas, azeitonas, comida do Oriente Médio, Ásia, Áustria… é um retrato de Viena como cidade histórica, mas também multicultural. O contraste é maravilhoso: de manhã você está em salões dourados dos Habsburgo, e algumas horas depois está comendo algo em pé no mercado, no meio de moradores locais fazendo compras do dia a dia. É aquele momento da viagem em que a cidade deixa de ser cenário imperial e vira cidade de verdade.


Naschmarkt
Depois, segui para o Palácio Belvedere, que na verdade são dois palácios barrocos ligados por jardins. Ele foi construído para o príncipe Eugênio de Savoia, um dos grandes comandantes militares do império. Hoje, o Belvedere abriga uma das obras mais famosas do mundo: “O Beijo”, de Gustav Klimt. Ver ao vivo é diferente, porque você percebe o tamanho, as texturas, o dourado real brilhando. Klimt faz parte do movimento da Secessão Vienense, que rompeu com a arte acadêmica tradicional. E tem um detalhe histórico enorme: foi no Belvedere que, em 1955, foi assinado o Tratado do Estado Austríaco, que devolveu a soberania ao país após a ocupação da Segunda Guerra. Ou seja, o lugar conecta barroco, arte moderna e história política recente no mesmo espaço. E se você vai nessa época do ano, tem mais uma camada: o mercado de Natal do Belvedere, que acontece bem em frente ao palácio, com a fachada barroca iluminada ao fundo. É menor que o da Rathausplatz, mas tem uma atmosfera mais elegante e intimista, quase como se o cenário imperial virasse parte da decoração. As barraquinhas ficam alinhadas diante do lago refletindo o palácio, e a combinação de luzes, arquitetura e frio deixa tudo com aquele clima europeu clássico de fim de ano, parece pintura, mas com cheiro de vinho quente e comida típica no ar.



Palácio Belvedere
Pra fechar o dia, fui ao Prater, um parque de diversões que tem uma estética meio nostálgica, meio vintage, diferente de parques modernos cheios de tecnologia. E ali está um dos grandes símbolos de Viena: a Wiener Riesenrad, a roda-gigante que funciona desde 1897. Ela foi construída para celebrar o jubileu do imperador Francisco José I e virou um marco da cidade. Sobreviveu à Segunda Guerra (mesmo danificada, foi reconstruída) e até hoje mantém aquelas cabines vermelhas fechadas, bem diferentes das rodas-gigantes panorâmicas modernas. É como se a cidade mostrasse que também sabe ser leve, divertida e cotidiana, sem abandonar essa atmosfera histórica. Viena não é só palácio e império, é também esse charme nostálgico de parque europeu de outra época.



Prater
Dia 5
- Day Trip partindo de Viena
- Abadia Beneditina de Melk
- Hallstatt
- Salzburgo
O quinto dia foi dedicado a um Bate-volta saindo de Viena, que foi um tour que basicamente atravessou um país inteiro em poucas horas. A viagem já começa com um trajeto panorâmico belíssimo em direção aos Alpes austríacos. Comprei esse passeio pelo Get Your Guide e paguei 139 euros (alimentação não incluída). A logística foi um ponto super positivo: me buscaram no hotel de manhã cedo, depois fizemos a troca para o transporte principal já no centro de Viena, junto com o restante do grupo. Na volta, o desembarque foi também no centro, ao lado da Ópera de Viena, o que facilita muito para voltar ao hotel ou seguir explorando a cidade. Para quem não quer dirigir nem organizar trem, conexão e horários por conta própria, é uma forma prática e confortável de ver muita coisa em um único dia.
A primeira parada foi a Abadia Beneditina de Melk, no Vale de Wachau, às margens do Danúbio. O mosteiro fica no alto de uma colina, todo amarelo-ocre, barroco, enorme. Ele foi fundado no século XI, mas ganhou essa forma monumental no período barroco, quando a Igreja queria impressionar tanto espiritualmente quanto visualmente. A biblioteca da abadia é um dos destaques, símbolo de como os mosteiros eram centros de preservação de conhecimento na Europa medieval. Ali não era só religião, era também cultura, educação e poder.


Abadia Beneditina de Melk
Depois seguimos pela região de Salzkammergut, a famosa região dos lagos. O nome vem de “câmara do sal”, porque a área era estratégica para a extração de sal, que durante séculos foi um dos bens mais valiosos da Europa, praticamente o “ouro branco” da época. Hoje, o que domina é a paisagem: lagos serenos, montanhas ao fundo, vilarejos pequenos e organizados. É aquela vista alpina clássica que parece pintura. E aí vem um dos lugares mais surreais do dia: Hallstatt. É uma cidade inacreditável. Casas de madeira e tons pastel espremidas entre o lago e a montanha, igreja com torre pontuda e estava nevando muito quando chegamos, o que nos transportou para uma atmosfera mágica. A cidade é tão antiga que deu nome a um período inteiro da Idade do Ferro, a cultura Hallstatt, por causa de importantes achados arqueológicos na região. Ou seja, além de linda, é historicamente relevante.



Hallstatt
A última parada foi Salzburgo: cidade natal de Mozart e um dos cenários de A Noviça Rebelde. O centro histórico é cheio de igrejas barrocas, cúpulas verdes, praças amplas e aquela elegância típica das cidades que foram governadas por príncipes-arcebispos. Depois da parte guiada, deu pra caminhar pelas ruas de pedra da Cidade Velha, observar as tradicionais placas de ferro trabalhadas penduradas nas fachadas (marca registrada da cidade) e sentir essa mistura de música, história e cinema. Salzburgo tem uma identidade cultural muito forte, não é só bonita, é cheia de simbolismo ligado à música clássica.



Salzburgo
De volta a Viena à noite, já exausta, mas com aquela satisfação pós-dia intenso. A cidade estava ali, iluminada, funcionando normalmente, como se eu não tivesse acabado de cruzar boa parte da Áustria. Foi meu último momento na cidade, e uma despedida tranquila, do jeito que a viagem foi.
Roteiro no Mapa
Usando o My Maps é possível simular o roteiro dentro do mapa do Google Maps, e construir sequências de atividades funcionais. Esse foi o meu roteiro em Viena:
Orçamento Final
Abaixo está listado os custos que eu paguei pela viagem para Viena, em novembro de 2025, com câmbio € 1 = R$ 6,35.

É possível diminuir esses custos ao escolher uma opção de hospedagem mais econômica (como hostel, hotéis mais afastados do centro ou Airbnb), comendo em opções de restaurante mais econômicas e/ou usando milhas. Nessa viagem também visitei outras regiões da Europa, como Munique, Estrasburgo e Paris, logo os custos foram impactados pois entrei na Europa por Viena e saí via Paris (logo tive outros custos relacionados aos outros destinos).
Espero que este roteiro te inspire a sentir Viena com todos os sentidos, sem pressa, apenas se permitindo viver a cidade no seu ritmo. Viena vai além dos palácios e concertos: se revela nos cafés, parques, ruas e mercados, nos contrastes entre tradição e criatividade, história e cotidiano. É admirar obras e jardins, ouvir música nas ruas, saborear um café, sentir a luz do fim de tarde, e perceber que a cidade vai ficando dentro de você, deixando a rara sensação de que o tempo ali é mais gentil.

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