O que Fazer em Munique: Roteiro de 3 dias

  1. Quando Eu Fui?
  2. Como Chegar a Munique?
  3. Onde Fiquei Hospedada?
  4. Roteiro Detalhado – Munique (3 dias)
    1. Dia 1
    2. Dia 2
    3. Dia 3
  5. Roteiro no Mapa
  6. Orçamento Final
  7. Veja Também

Quando Eu Fui?

Eu estive em Munique do dia 27 ao dia 30 de novembro, o que na prática me deu três dias inteiros para explorar a cidade. Foi um tempo que funcionou muito bem para conhecer os principais pontos do centro histórico com calma e ainda aproveitar um pouco do clima da cidade. Uma coisa que deixou a viagem ainda mais especial foi a época do ano. Eu peguei o início da temporada de mercados de Natal, então várias praças já estavam com as tradicionais feirinhas montadas. As barraquinhas de madeira, as luzes, o cheiro de comida típica e vinho quente no ar… tudo isso cria uma atmosfera muito gostosa para caminhar pela cidade. O frio já estava bem presente, típico de final de novembro na Alemanha, mas dei sorte de não pegar nenhum dia de chuva, o que deixou os passeios muito mais agradáveis. Era aquele frio que pede casaco pesado, mas que ao mesmo tempo combina perfeitamente com a experiência de andar pelas ruas históricas da cidade. Nessa época do ano, as temperaturas em Munique costumam ficar entre 0 °C e 7 °C, então já é clima de inverno chegando de verdade. Neve ainda não é garantida em novembro, mas o frio já aparece com força, especialmente de manhã cedo e à noite. No fim de novembro, os dias já são mais curtos, o que acaba combinando muito com o clima da cidade nessa época. As luzes de Natal começam a acender no meio da tarde, as praças ficam cheias de gente circulando entre as barracas dos mercados e a cidade ganha aquele clima aconchegante de inverno europeu que transforma até caminhadas simples em um programa especial.

Como Chegar a Munique?

Saindo do Brasil, não existem voos diretos a partir de São Paulo no momento, mas é muito fácil chegar com apenas uma conexão. As rotas mais comuns costumam passar por cidades como Frankfurt, Lisboa, Paris, Madrid ou Zurique. No geral, o tempo total de viagem costuma ficar entre 14 e 17 horas, dependendo da conexão escolhida. O aeroporto de Munique é grande, moderno e muito eficiente, e tem conexão direta com o centro da cidade por trem, o que facilita bastante a chegada.

Para quem já está viajando pela Europa, existem várias opções práticas para chegar a Munique:

  • Trem
    Essa costuma ser uma das formas mais confortáveis de viajar entre cidades europeias. Munique tem uma estação central enorme, a München Hauptbahnhof, que conecta a cidade com diversos destinos importantes. Há trens frequentes para cidades como Viena, Salzburgo, Zurique, Praga, Frankfurt e muitas outras. Além de confortável, o trem tem a vantagem de sair do centro de uma cidade e chegar direto no centro da outra. No meu caso, eu estava em Viena antes de ir para Munique e escolhi fazer o trajeto de trem, que foi uma experiência excelente. A viagem dura cerca de 4 horas, e existem vários horários ao longo do dia. Eu comprei a passagem com antecedência e peguei um trem confortável, com assentos espaçosos, tomadas e espaço para bagagem. Além disso, a paisagem durante o trajeto é linda. Em vários momentos o trem passa por pequenas cidades, campos e regiões montanhosas, então a viagem acaba virando parte do passeio.
  • Avião
    Munique também tem um dos aeroportos mais importantes da Europa, então voar pode ser uma boa opção dependendo da distância. Companhias tradicionais e low-cost conectam a cidade a praticamente todo o continente.
  • Ônibus
    Para quem quer economizar, o ônibus também é uma alternativa comum na Europa. Empresas como FlixBus fazem rotas entre Munique e várias cidades europeias. A viagem costuma ser mais longa do que de trem, mas às vezes compensa pelo preço.

Onde Fiquei Hospedada?

Fiquei hospedada no Hotel Adria, localizado no bairro Altstadt-Lehel, uma das regiões mais agradáveis e bem localizadas de Munique. É uma área muito segura, elegante e ao mesmo tempo tranquila, o que para mim foi um ótimo equilíbrio entre estar perto das atrações e ter um ambiente mais calmo para descansar no final do dia. A localização funcionou muito bem para explorar a cidade. Próximo ao metrô e cerca de 10 a 15 minutos de caminhada eu já estava na região da Marienplatz e no coração do centro histórico, onde ficam várias das principais atrações de Munique. Ao mesmo tempo, o hotel fica bem próximo do English Garden, um dos maiores parques urbanos da Europa, o que deixa a região ainda mais agradável para caminhar. O bairro tem uma atmosfera bem charmosa, com ruas elegantes, prédios clássicos e um clima mais residencial. É uma região muito gostosa de circular, com alguns cafés e restaurantes por perto, mas sem o movimento intenso das áreas mais turísticas. O hotel em si é confortável, bem cuidado e com quartos espaçosos e silenciosos. Funcionou exatamente como eu precisava: um lugar prático, seguro e bem localizado para descansar depois de dias inteiros explorando a cidade. O café da manhã também era muito bom e ajudava bastante a começar o dia com energia antes de sair para os passeios. As diárias costumam variar dependendo do tipo de quarto, da temporada e da antecedência da reserva, mas normalmente ficam entre R$500 a R$1300. Para os padrões de Munique – que é uma cidade relativamente cara para hospedagem – achei o custo-benefício muito bom, principalmente pela localização. Eu ficaria lá novamente em uma próxima viagem sem dúvida.

Quarto Casal Clássico no Hotel Adria – Munique

Roteiro Detalhado – Munique (3 dias)

Dia 1

  • Maximilianstrasse
  • Viktualienmarkt
  • Spielzeugmuseum
  • Pfarrkirche St. Peter
  • Marienplatz
  • Frauenkirche
  • Asamkirche
  • Michaelskirche
  • Karlsplatz
  • Konigsplatz
  • Alte Pinakothek
  • Biergarten am Chinesischen Turm
  • English Garden
  • Hofbräuhaus am Platzl

Meu primeiro dia em Munique foi dedicado a explorar o centro histórico a pé. Apesar da quantidade de lugares, o roteiro funciona bem porque grande parte das atrações fica concentrada no centro da cidade. Comecei o dia caminhando pela Maximilianstrasse, uma das avenidas mais elegantes de Munique, conhecida principalmente pelas lojas de luxo: Chanel, Dior, Louis Vuitton, Hermès e várias outras marcas internacionais estão por ali. Mesmo que compras não estejam no seu plano, vale passar para observar a arquitetura dos prédios, que mistura elementos neogóticos e renascentistas. Dali eu segui para o Viktualienmarkt, um dos lugares mais interessantes para sentir o cotidiano da cidade. Esse mercado existe desde 1807, quando foi criado para substituir um mercado menor que já não comportava mais o crescimento de Munique. Hoje ele funciona como um grande mercado gastronômico ao ar livre. Ali você encontra de tudo: queijos artesanais, embutidos típicos da Baviera, frutas frescas, flores, pães, temperos e comidas prontas. Não é apenas turístico, muitos moradores da cidade ainda fazem compras ali, então o ambiente tem uma vibe bem autêntica. No centro do mercado também existe um biergarten público, algo muito tradicional na Baviera. Diferente de restaurantes, nos biergartens é comum comprar comida em um lugar e sentar nas mesas comunitárias para comer e beber.

Viktualienmarkt

Na sequência passei pelo Spielzeugmuseum, o Museu do Brinquedo, que fica dentro de uma das torres da antiga prefeitura na Marienplatz, legal para quem gosta de história ou de objetos vintage. Ele mostra a evolução dos brinquedos ao longo dos últimos séculos, com uma coleção que inclui ursos de pelúcia antigos, bonecas de porcelana, brinquedos de madeira, trens em miniatura e jogos clássicos. O ingresso custa €8 e pode ser adquirido no local ou no site oficial.

Spielzeugmuseum

Bem ao lado da Marienplatz fica a Pfarrkirche St. Peter, conhecida pelos moradores como Alter Peter (Velho Pedro). Ela é considerada a igreja mais antiga de Munique, com origens que remontam ao século XII. O interior da igreja é bonito, com decoração barroca, mas o grande destaque é a torre com mirante. Para chegar ao topo são cerca de 300 degraus, subindo por uma escada bem estreita de madeira. A subida pode cansar um pouco, mas a vista compensa muito: do alto você tem uma das melhores panorâmicas do centro histórico de Munique, com os telhados vermelhos da cidade e as torres da Frauenkirche dominando o horizonte. Em dias muito claros, dizem que é possível até ver os Alpes ao fundo. A subida na Torre custa €5 e pode ser adquirida no local.

Vista do Mirante da Pfarrkirche St. Peter

Descendo da Torre, fui visitar a Marienplatz, que é o verdadeiro coração de Munique e provavelmente você vai passar por ela várias vezes durante a viagem. O prédio mais impressionante ali é o Neue Rathaus, a nova prefeitura. Ele foi construído entre 1867 e 1909, em estilo neogótico, e tem uma fachada extremamente detalhada. Mas o que realmente chama atenção é o famoso Glockenspiel, o relógio mecânico instalado na torre da prefeitura. Todos os dias, normalmente às 11h e 12h (e também às 17h no verão), o relógio entra em funcionamento e 32 figuras em tamanho real começam a se movimentar, encenando dois episódios da história da Baviera: O Casamento do duque Wilhelm V com Renata de Lorena, que aconteceu em 1568, com um torneio de cavaleiros (o cavaleiro da Baviera sempre vence, claro), e a SchäfflertanzA Dança dos Tanoeiros, que teria surgido depois de uma epidemia de peste para encorajar a população a sair de casa novamente. Apesar de turístico, o Glockenspiel é uma tradição com mais de 100 anos e faz parte da identidade de Munique.

Neue Rathaus, Marienplatz e Glockenspiel

A poucos minutos da Marienplatz fica a Frauenkirche, a catedral mais famosa de Munique. Construída no século XV, ela é facilmente reconhecida pelas duas torres com cúpulas verdes em formato de cebola, que viraram símbolo da cidade. Dentro da igreja existe uma curiosidade que sempre chama atenção: a “pegada do diabo” (Teufelstritt). A lenda conta que, durante a construção da igreja, o arquiteto fez um acordo com o diabo: ele ajudaria a financiar a obra desde que o prédio não tivesse janelas, para que ficasse escuro e pouco atraente. Quando o diabo foi conferir, a perspectiva arquitetônica engana: as janelas estão escondidas atrás das pilastras da igreja, e conforme a pessoa anda pela nave da igreja, é possível ver as janelas. Diz a lenda que o diabo ficou furioso, bateu o pé bem forte no chão, deixando a marca que vemos hoje, e sai correndo, criando ventos fortes ao redor da igreja.

Frauenkirche

Dali segui rumo à Asamkirche, que foi uma das igrejas que mais me impressionaram. Por fora é discreta, mas ao entrar você se depara com um interior extremamente ornamentado, cheio de detalhes dourados, esculturas dramáticas e pinturas barrocas. Construída no século XVIII pelos irmãos Asam, originalmente era uma capela privada ao lado da própria casa deles, mas acabou aberta ao público. Entrada gratuita.

Asamkirche

Segui caminhando pela cidade e passei pela Michaelskirche (Igreja de São Miguel), que é uma das maiores igrejas renascentistas ao norte dos Alpes, com nave imponente e atmosfera diferente das outras igrejas barrocas. Ali também está o túmulo do rei Ludwig II da Baviera, o mesmo que construiu os famosos castelos como o Neuschwanstein, que visitei no dia seguinte. Tive a chance de assistir um pedaço da celebração de uma missa local, muito bonito!

Michaelskirche

Ali perto fica a Karlsplatz, conhecida pelos moradores como Stachus, era uma das antigas entradas da cidade medieval. Hoje é um ponto central para comércio e transporte, e marca o início da rua Kaufingerstrasse, cheia de lojas. No inverno, a praça costuma ter pista de patinação no gelo, e no verão, a fonte central vira ponto de encontro para moradores e turistas. Dali segui caminhando até a Königsplatz, uma praça com inspiração na arquitetura da Grécia Antiga. Os edifícios parecem templos clássicos e abrigam museus de arte importantes. A praça também tem peso histórico: durante o período nazista, foi usada para eventos e cerimônias políticas, sendo um dos símbolos da memória histórica da cidade.

Karlsplatz e Königsplatz

Já na região, visitei a Alte Pinakothek, um dos museus de arte mais importantes da Alemanha. O acervo reúne pinturas europeias dos séculos XIV a XVIII, incluindo obras de Leonardo da Vinci, Rembrandt, Rubens, Rafael e Albrecht Dürer. Mesmo quem não é fã de museu se impressiona com a qualidade e quantidade de obras. O ingresso custa a partir de €9 (ou apenas €1 aos domingos) e pode ser adquirido no local ou no site oficial.

Alte Pinakothek

Depois de tanto caminhar, fui para o biergarten do Chinesischer Turm, dentro do English Garden, um dos maiores parques urbanos do mundo, para fazer uma pausa para cerveja e Bratwurst. O biergarten é histórico, com capacidade para milhares de pessoas, e fica ao redor de uma torre chinesa de madeira do século XVIII. É um ótimo lugar para descansar, tomar uma cerveja bávara e comer pratos típicos.

Biergarten do Chinesischer Turm

O English Garden é lindo em qualquer época do ano e merece uma boa pausa na sua visita a Munique. Mesmo no frio, é possível caminhar pelas trilhas que serpenteiam o parque, observar os rios e lagos, e sentir a tranquilidade que contrasta com o agito da cidade. Dá para imaginar facilmente o movimento do parque no verão, quando ele se enche de piqueniques, ciclistas, famílias e grupos de amigos, e até surfistas se arriscando na famosa onda artificial do Eisbach, um dos cartões-postais mais inusitados de Munique. O parque é gigantesco, um dos maiores parques urbanos do mundo, e abriga templos, pontes e jardins de inspiração inglesa, que tornam cada caminhada uma experiência quase poética.

English Garden

Para fechar o dia, fui jantar na Hofbräuhaus am Platzl, provavelmente a cervejaria mais famosa de Munique. Fundada em 1589 pelo duque Wilhelm V, ela é um ícone da tradição cervejeira bávara. Além de ser um ponto clássico para experimentar pratos típicos como pretzels gigantes, salsichas e joelho de porco, o lugar ficou conhecido mundialmente por ter sido um dos locais onde Adolf Hitler começou a se envolver politicamente durante os anos 1920, sendo palco de discursos do início do partido nazista. Hoje, o ambiente é animado e totalmente voltado para turismo e cultura bávara: mesas grandes compartilhadas, garçons carregando canecos de 1 litro e música ao vivo. É turístico, mas ainda oferece uma experiência autêntica da tradição cervejeira e social de Munique, sendo uma forma divertida e histórica de encerrar meu primeiro dia na cidade.

Hofbräuhaus am Platzl

Dia 2

  • Viscardigasse
  • Odeonplatz
  • Residenz München
  • Tarde livre ou visita ao Palácio Nymphenburg
  • Pub Crawl Munique

O segundo dia em Munique foi mais voltado para história e cultura, mas equilibrando com um Pub Crawl para sentir a vida noturna local. Comecei o dia caminhando pela Viscardigasse, uma ruazinha estreita próxima à Odeonsplatz que, à primeira vista, parece comum, mas guarda uma das histórias mais simbólicas de resistência de Munique. Durante o período nazista, os habitantes que não queriam passar em frente ao Feldherrnhalle, monumento que os nazistas usavam para demonstrações e homenagens, começaram a contornar a praça pela Viscardigasse. Hoje, o chão da rua tem linhas douradas conhecidas como “Caminho Dourado”, marcando o caminho simbólico da resistência pacífica.

Viscardigasse

Logo em seguida cheguei à Odeonsplatz, uma das praças mais imponentes de Munique, conhecida pela sua arquitetura neoclássica. Ela foi construída no início do século XIX e cercada por edifícios importantes como o Feldherrnhalle, que homenageia os generais da Baviera e foi inspirada na Piazza della Signoria, em Florença, o Theatinerkirche, igreja barroca italiana com torres amarelas chamativas e a Residenz (entrada principal da praça). A praça também é conhecida por seu papel histórico: em 1923, ela foi palco da tentativa do Putsch da Cervejaria, um golpe fracassado liderado por Hitler, que acabou consolidando o local como um símbolo histórico importante.

Odeonsplatz – Estava em reforma quando eu visitei. 😦

A poucos passos da Odeonsplatz está a Residenz München, antigo palácio dos reis da Baviera. É o maior palácio urbano da Alemanha, com mais de 130 salas abertas à visitação, e durante séculos foi a residência oficial da dinastia Wittelsbach, a família que governou a Baviera por mais de 700 anos. O complexo começou como um castelo medieval, mas ao longo do tempo foi sendo ampliado por diferentes governantes, o que explica a mistura impressionante de estilos arquitetônicos. Caminhando pelos corredores você passa por salas renascentistas, galerias barrocas extremamente ornamentadas e ambientes rococó cheios de detalhes dourados. Cada ala do palácio reflete um momento diferente da história da monarquia bávara e da própria cidade. Um dos espaços mais impressionantes é o Antiquarium, um salão gigantesco com cerca de 110 metros de comprimento, considerado um dos maiores salões renascentistas ao norte dos Alpes. O teto é completamente decorado com pinturas e o espaço foi originalmente criado para abrigar a coleção de esculturas clássicas da família real. É aquele tipo de sala que faz você parar alguns minutos só para observar os detalhes. Outro destaque é o Treasury (Schatzkammer), onde ficam expostos objetos preciosos da monarquia: coroas, joias, relicários religiosos e peças de ouro e marfim acumuladas ao longo de séculos. Mesmo para quem não é especialmente fã de história monárquica, impressiona perceber o nível de riqueza e poder que essas coleções representavam. Durante a Segunda Guerra Mundial, grande parte da Residenz foi seriamente danificada pelos bombardeios, mas o palácio passou por um longo processo de reconstrução após a guerra. Muitas salas foram restauradas com base em documentos históricos, pinturas e fotografias antigas, o que permitiu recuperar grande parte da atmosfera original do palácio. Os ingressos custam de €10 a €20, a depender das partes que deseja visitar do palácio, e podem ser adquiridos no local ou no site oficial. Para quem gosta de história, arquitetura ou palácios europeus, é facilmente uma das visitas mais interessantes de Munique.

Residenz München

A tarde foi livre, e eu aproveitei para caminhar sem pressa pelo centro, tomar um café em uma das inúmeras cafeterias históricas e observar o cotidiano local. Essa pausa foi ótima para absorver a arquitetura, as lojas e o clima da cidade, que muda bastante conforme a luz do dia e a estação. Aproveitei a pausa para explorar a Max-Joseph-Platz e a fachada da Ópera Estatal da Baviera, as ruas do centro e degustar a culinária bávara nos mercados de natal da cidade.

Caso prefira continuar explorando locais históricos, também é possível se deslocar para uma região mais afastada do centro e visitar o Palácio Nymphenburg, um dos maiores palácios barrocos da Alemanha, com jardins imensos, museus internos e uma arquitetura linda, ideal para quem gosta de passeios mais tranquilos e fotogênicos. Não fui, mas deixo aqui a alternativa.

Tarde Livre em Munique

Para terminar o dia, eu participei de um Pub Crawl em Munique, que foi uma forma super divertida de conhecer a vida noturna da cidade e também socializar com outros viajantes. Reservei no Get Your Guide e a dinâmica é simples: um grupo se reúne em um bar no centro da cidade e, ao longo da noite, o guia vai levando todo mundo para vários bares e pubs diferentes, com direito a alguns shots incluídos no caminho. No final, normalmente o grupo termina em um bar mais animado ou uma balada. Achei uma experiência muito legal especialmente para quem está viajando sozinho, porque o clima é bem social. As pessoas acabam conversando bastante durante os deslocamentos entre os bares e é comum encontrar viajantes de vários países diferentes. Outra coisa interessante é que cada bar tem um estilo diferente — alguns mais tradicionais, outros mais modernos — então você acaba conhecendo vários cantinhos da vida noturna de Munique em uma única noite. O tour costuma custar cerca de €20–€30, dependendo da data, e inclui: entrada em vários bares, alguns shots durante a noite, guia acompanhando o grupo e acesso final a uma balada ou bar maior. Para mim foi uma forma bem divertida de terminar o segundo dia na cidade e viver um pouco a vibe local.

Pub Crawl em Munique

Dia 3

  • Day Trip para os Castelos da Bavieira
  • Linderhof Palace
  • Oberammergau
  • Hohenschwangau
  • Neuschwanstein Castle

No meu terceiro e último dia em Munique, fiz um dos passeios mais clássicos da região: uma day trip pelos castelos da Baviera, passando por alguns cenários incríveis dos Alpes. Reservei o tour pela Get Your Guide e paguei 133,25 onde está incluso todo o transporte ao longo do dia e as entradas nos castelos. Esse tipo de excursão é bem prático porque os castelos ficam a algumas horas de Munique e, por conta própria, o trajeto exige várias combinações de trem e ônibus. No tour, o transporte é feito de ônibus confortável saindo do centro da cidade, e durante o caminho o guia vai explicando bastante sobre a história da Baviera, sobre o rei Ludwig II e sobre os lugares que vamos atravessando pelo interior da região.

A primeira parada do dia foi o Linderhof Palace, um dos palácios construídos pelo rei Ludwig II of Bavaria. Diferente de Neuschwanstein, que parece um castelo medieval de conto de fadas, Linderhof tem um estilo rococó inspirado no Palace of Versailles, refletindo a admiração que Ludwig tinha pela monarquia francesa, especialmente pelo rei Louis XIV. Esse foi, inclusive, o único dos grandes projetos do rei que foi realmente concluído durante sua vida. O interior é extremamente ornamentado: muito dourado, espelhos enormes, tapeçarias e decoração detalhada em praticamente todas as paredes. É o tipo de palácio que impressiona mais pelos detalhes e pelo luxo do que pelo tamanho. Os jardins também são lindos e fazem parte da experiência. Há fontes monumentais, esculturas e diferentes áreas temáticas espalhadas pela propriedade. Um dos lugares mais curiosos é a Venus Grotto, uma caverna artificial construída para recriar cenários inspirados nas óperas de Richard Wagner, compositor que Ludwig admirava profundamente. Mas vale ressaltar que no inverno, quando a neve está alta, os jardins ficam fechados para visitação.

Linderhof Palace

Depois da visita, seguimos viagem pelos Alpes até a charmosa vila de Oberammergau, uma pequena cidade famosa por suas casas decoradas com pinturas nas fachadas, conhecidas como Lüftlmalerei. Caminhar pelo centrinho é quase como andar por um cenário de filme, porque muitas casas retratam cenas religiosas, histórias locais ou personagens de contos de fadas. A cidade também é conhecida mundialmente por sediar a Oberammergau Passion Play, uma peça teatral sobre a Paixão de Cristo que acontece apenas uma vez a cada dez anos. A tradição começou no século XVII, quando os moradores prometeram encenar a história se a vila fosse poupada de uma epidemia de peste, e desde então o espetáculo se tornou um dos eventos culturais mais famosos da Alemanha.

Oberammergau

Depois dessa parada rápida, seguimos para a região de Hohenschwangau, uma pequena vila alpina cercada por montanhas e lagos. É ali que ficam dois castelos famosos: o Hohenschwangau Castle, onde Ludwig II passou parte da infância, e o castelo mais icônico da Baviera, o Neuschwanstein Castle. O Neuschwanstein é provavelmente um dos castelos mais reconhecíveis do mundo. Ele começou a ser construído em 1869 por Ludwig II, que queria criar um refúgio pessoal inspirado em lendas medievais e nas óperas de Wagner. Apesar da aparência de castelo medieval, ele é relativamente “moderno” para os padrões históricos, foi construído no século XIX e tinha tecnologias avançadas para a época, como aquecimento e água corrente. Curiosamente, o castelo nunca foi realmente terminado. Ludwig morreu em circunstâncias misteriosas em 1886, poucos dias depois de ser declarado incapaz de governar, e apenas uma pequena parte do projeto original chegou a ser finalizada. Dos mais de 200 cômodos planejados, cerca de 14 foram concluídos. Mesmo assim, o castelo rapidamente se tornou um dos pontos turísticos mais visitados da Alemanha. Sua silhueta romântica, no alto de uma colina cercada pelos Alpes, acabou se tornando tão icônica que inspirou até o castelo que aparece na abertura dos filmes da The Walt Disney Company. A visita ao interior é feita em tour guiado com horário marcado, passando por algumas das salas principais, como o Salão do Trono e o Singer’s Hall, ambos decorados com murais inspirados em mitologia germânica e nas óperas de Wagner.

Neuschwanstein Castle

Mas uma das partes mais bonitas da experiência é o próprio cenário ao redor. O castelo fica cercado por montanhas, florestas e lagos alpinos, e uma das vistas mais famosas é da Marienbrücke, uma ponte suspensa que oferece aquela perspectiva clássica do castelo que aparece em praticamente todas as fotos da Baviera (que estava fechada quando visitei, por conta do inverno e neve).

Hohenschwangau

É um passeio de dia inteiro fora de Munique, mas vale muito a pena. Além de conhecer dois castelos impressionantes, a viagem pelos Alpes bávaros é linda e acaba sendo um contraste perfeito com os dias explorando a cidade. Foi um jeito mágico de fechar meus dias pela Alemanha.

Roteiro no Mapa

Usando o My Maps é possível simular o roteiro dentro do mapa do Google Maps, e construir sequências de atividades funcionais. Esse foi o meu roteiro em Munique:

Orçamento Final

Abaixo está listado os custos que eu paguei pela viagem para Munique, em novembro de 2025, com câmbio €1 = R$ 6,50.

É possível diminuir esses custos ao escolher uma opção de hospedagem mais econômica (como hostel, hotéis mais afastados do centro ou Airbnb), comendo em opções de restaurante mais econômicas e/ou usando milhas. Nessa mesma viagem também visitei outras regiões da Europa, como Viena, Estrasburgo e Paris, logo os custos foram impactados pois entrei na Europa por Viena e saí via Paris (logo tive outros custos relacionados aos outros destinos).

Espero que este roteiro te inspire a aproveitar Munique com calma, explorando a cidade sem pressa e deixando espaço para pequenas descobertas pelo caminho. Munique vai muito além dos grandes cartões-postais: ela se revela nas praças cheias de vida, nas cervejarias históricas, nos parques imensos e nas ruas elegantes do centro antigo. É uma cidade onde tradição e modernidade convivem naturalmente, onde palácios e igrejas barrocas dividem espaço com museus, mercados e biergartens animados. No fim das contas, Munique é daquelas cidades que se aproveitam no ritmo do dia a dia, entre arquitetura, história, boa comida e cerveja, e que aos poucos vai conquistando você de um jeito simples e muito agradável.

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