
“The Mediterranean is not a sea, it is a thousand things at once…”
Malta é um daqueles destinos que parecem pequenos apenas no mapa. No coração do Mediterrâneo, entre a Europa e o norte da África, o arquipélago acumulou séculos de encontros, disputas e influências que continuam visíveis em cada detalhe: no calcário dourado de Valletta, nas muralhas silenciosas de Mdina, nos fortes voltados para o mar e até na língua maltesa, que mistura raízes árabes com palavras e sonoridades europeias. Mas, quando a história começa a parecer grandiosa demais, surge o azul quase inacreditável da Blue Lagoon, uma praia escondida entre falésias ou o balanço dos barcos coloridos de Marsaxlokk para lembrar que Malta também é leveza, calor e vida ao ar livre. Talvez seu maior encanto esteja justamente nesses contrastes: é antiga e vibrante, solene e festiva, fortificada e, ao mesmo tempo, completamente aberta para o Mediterrâneo. Em Malta, o mar não funciona apenas como cenário; ele conecta as ilhas, explica as fortalezas, molda as paisagens e acompanha praticamente toda a viagem. É um destino que não se revela apenas nos monumentos ou nas praias, mas na relação constante entre pedra, luz e água. E, depois de percorrer suas cidades, falésias e baías, fica fácil entender por que o verso mais importante do país começa chamando Malta de art ħelwa: uma terra doce, intensa e impossível de confundir com qualquer outra.
O relato abaixo é totalmente baseado na minha experiência e no que eu planejei para esta viagem, considerando os meus gostos, e obviamente pode ser adaptado de acordo com o perfil de cada um.
Quando Eu Fui?
Visitei Malta pouco antes do início do verão europeu, de 05/06/2026 a 11/06/2026. Cheguei no dia 5 com apenas metade do dia disponível e meu voo de volta partiu bem cedo no dia 11, e foi uma ótima época para conhecer o arquipélago. Os dias já eram longos, ensolarados e quentes, com temperaturas geralmente entre 22°C e 30°C, perfeitas para combinar passeios históricos com praias, cruzeiros e mergulhos naquele mar absurdamente azul. Ao mesmo tempo, eu ainda não estava no auge do verão europeu, quando julho e agosto costumam trazer calor mais intenso, preços mais altos e uma quantidade bem maior de turistas. Para o roteiro que eu queria fazer, misturando cidades históricas, falésias, praias e passeios pelas ilhas de Gozo e Comino, esses 5 dias e meio renderam bastante. Malta parece pequena no mapa, mas concentra uma quantidade impressionante de lugares para conhecer, e os deslocamentos nem sempre são tão rápidos quanto as distâncias fazem parecer. Achei que foi tempo suficiente para conhecer os principais pontos do país, embora eu facilmente tivesse encontrado o que fazer se pudesse ficar mais alguns dias.
Como Ir do Aeroporto Para a Valleta e Arredores?
O Aeroporto Internacional de Malta (MLA) fica em Luqa, relativamente próximo de Valletta (que é a Capital de Malta), e das principais regiões onde os turistas costumam se hospedar, como Gżira, Sliema e St. Julian’s. Malta não possui metrô nem trem, mas há boas opções de ônibus, táxis e transporte por aplicativo.
- Ônibus Airport Direct: É a alternativa mais econômica. A passagem custa €3 (preço em junho de 2026) por pessoa e pode ser paga dentro do ônibus, em dinheiro ou com cartão por aproximação. As saídas costumam acontecer a cada 30 minutos, e os veículos possuem espaço para bagagens. O trajeto até Valletta leva aproximadamente 15 a 25 minutos, enquanto a viagem até Gżira ou Sliema costuma durar entre 35 e 45 minutos, dependendo do trânsito. Os horários atualizados podem ser consultados no site ou no aplicativo da Malta Public Transport. As linhas que atendem às principais regiões turísticas são:
- TD4: Valletta e terminal do ferry rápido para Gozo;
- TD3: Gżira, Sliema, St. Julian’s e Msida;
- TD2: St. Julian’s e Pembroke.
- Táxi oficial: Os táxis brancos do aeroporto funcionam 24 horas por dia. A corrida pode ser paga antecipadamente no balcão localizado no saguão de desembarque, com tarifa fixa de acordo com o destino. Para Valletta, Gżira, Sliema ou St. Julian’s, espere pagar aproximadamente entre €17 e €25 (preço em junho de 2026). O trajeto costuma levar de 15 a 30 minutos, dependendo do trânsito.
- Bolt, Uber ou eCabs: Os aplicativos de transporte funcionam muito bem em Malta e costumam ser uma opção prática para sair do aeroporto (usei Bolt durante toda a viagem na grande maioria dos meus deslocamentos). Os preços variam conforme o horário e a demanda, mas uma corrida até Valletta, Gżira, Sliema ou St. Julian’s geralmente fica entre €10 e €25 (preço em junho de 2026). Como há mais de um aplicativo disponível, vale comparar os valores antes de solicitar o carro.
- Transfer privativo: Também é possível reservar um motorista com antecedência para aguardar no desembarque. Os preços normalmente começam entre €20 e €35 (preço em junho de 2026) para as regiões centrais, dependendo da empresa, do horário e do tipo de veículo. Pode ser interessante para grupos, famílias ou para quem chega durante a madrugada.
Onde Fiquei Hospedada?
Para essa viagem, escolhi me hospedar no Strand Suites by NEU Collective, em Gżira, praticamente na divisa com Sliema. Foi uma localização muito estratégica para o meu roteiro, principalmente porque eu estava viajando sozinha e sem carro. A propriedade fica a poucos metros do calçadão de Sliema, cercada por restaurantes, cafés, mercados e pontos de ônibus, além de estar a aproximadamente 10 minutos de caminhada do terminal Sliema Ferries, de onde saem tanto o ferry para Valletta quanto diversos passeios de barco. A região é central, movimentada e prática para circular, sem estar no meio da agitação de Paceville. Sobre o Strand Suites em si, é uma propriedade menor e mais intimista do que o 115 The Strand Hotel, que pertence ao mesmo grupo e é o hotel principal (cuidado para não confundir). Os quartos são modernos, claros e espaçosos, com ar-condicionado, Wi-Fi gratuito, televisão com Chromecast, chaleira elétrica, cofre, banheiro privativo e varanda. Existem diferentes categorias, desde quartos para até duas pessoas até suítes com dois dormitórios, que acomodam famílias ou pequenos grupos. O prédio possui elevador e uma pequena área no rooftop, com piscina sazonal, espreguiçadeiras e espaço para tomar sol. Outro ótimo diferencial é que os hóspedes têm acesso gratuito ao Aqualuna Lido, localizado a cerca de 3 minutos de caminhada. O café da manhã não está automaticamente incluído nas diárias do Strand Suites, mas pode ser contratado separadamente e é servido no hotel principal, o 115 The Strand Hotel & Suites, que fica a poucos metros dali. Em relação aos preços, as diárias variam bastante conforme a época, o tipo de acomodação e a antecedência da reserva, mas costumam ficar entre €90 e €170 por noite, aproximadamente R$570 a R$1.100, podendo ultrapassar esse valor durante o auge do verão europeu. No geral, considero uma hospedagem com ótimo custo-benefício para quem procura uma base central, confortável e bem conectada para explorar Malta.

Roteiro Detalhado – Malta (6 dias)
Dia 1 (Meio Período)
- Sliema
- Sliema Beach
- Fond Ghadir Beach
- Tigné Point
- Fort Tigné
- Cruzeiro pelas Three Cities
Como cheguei a Malta com apenas metade do dia disponível, organizei uma programação mais leve e concentrada nos arredores da minha hospedagem. Comecei o roteiro caminhando pela orla de Gżira em direção a Sliema. Embora hoje essa seja uma das regiões mais modernas e movimentadas de Malta, repleta de apartamentos, restaurantes, hotéis e lojas, Sliema nasceu como uma pequena vila de pescadores e começou a se transformar principalmente durante o período britânico. Na segunda metade do século XIX, famílias mais ricas de Valletta passaram a construir casas de veraneio na região, buscando um pouco de alívio do calor e da densidade da capital. É por isso que, entre os prédios modernos, ainda aparecem casarões antigos, fachadas com influência vitoriana e as tradicionais varandas maltesas fechadas e coloridas. O principal passeio por Sliema acontece ao longo da orla conhecida como The Strand. De um lado estão restaurantes, cafés e quiosques das empresas de turismo; do outro, o Marsamxett Harbour, com barcos, marinas e a silhueta dourada de Valletta se destacando do outro lado da água. É uma caminhada simples, mas que já entrega uma das vistas mais bonitas da capital maltesa.


Vista do Calçadão de Sliema/Gzira
Seguindo pela orla, a primeira parada foi Sliema Beach, uma pequena faixa de costa rochosa com escadas de acesso ao mar. Não é uma praia de areia, mas sim uma área muito usada por locais e visitantes para banho de mar, especialmente no verão. A água ali costuma ser extremamente clara, e a vista para Valletta já começa a aparecer de forma mais aberta. Pouco depois, cheguei a Fond Għadir Beach, uma das áreas mais conhecidas de Sliema para nadar. Assim como outras praias da região, ela é formada por plataformas rochosas e escadas que levam diretamente ao mar. O destaque aqui são as piscinas naturais formadas entre as rochas, que deixam o banho mais tranquilo mesmo quando o mar está um pouco mais agitado. É também um dos pontos mais fotogênicos da caminhada, com o contraste entre o azul intenso do mar e a paisagem urbana ao fundo.


Sliema Beach e Fond Għadir Beach
Seguindo a caminhada, cheguei a Tigné Point, uma península que marca a entrada do Marsamxett Harbour. Hoje, a região mistura edifícios modernos, restaurantes, áreas residenciais e o shopping The Point, mas sua importância sempre foi muito mais estratégica do que comercial. Durante o Grande Cerco de Malta, em 1565, os otomanos instalaram ali uma bateria de artilharia para atacar o Fort St. Elmo, do outro lado do porto, e a área chegou a ser conhecida como Dragut Point, em referência ao corsário otomano Dragut. O principal vestígio desse passado militar é o Fort Tigné, construído pela Ordem de São João. Poucos anos depois de sua construção, o forte ainda participou da defesa contra a invasão francesa de 1798, sendo uma das poucas estruturas a tentar resistir às tropas de Napoleão e chegando a dificultar a entrada de embarcações no Marsamxett Harbour. Quando visitei, o interior do forte ainda não estava aberto à visitação regular, mas mesmo assim a área já vale a caminhada. O grande destaque de Tigné Point é a vista, que revela de forma muito clara a posição estratégica de Valletta, com suas muralhas, o Fort St. Elmo e a entrada dos dois principais portos naturais da ilha. É um daqueles lugares que ajudam a entender Malta para além do mapa, mostrando como tudo ali foi pensado a partir do mar.



Tigné Point
Depois de explorar a região, voltei para Sliema Ferries para fazer um passeio de barco para ver os principais portos de Malta e as famosas Três Cidades pelo mar. Reservei o passeio pelo GetYourGuide, no valor de €20. O passeio dura cerca de 1h30 e contorna Valletta pelo mar, entrando tanto no Marsamxett Harbour quanto no Grand Harbour. Ele não inclui paradas, já que a proposta é totalmente panorâmica, mas é justamente isso que o torna tão interessante: ver a cidade a partir da água muda completamente a percepção do lugar. Foi durante esse passeio que Malta começou a fazer ainda mais sentido para mim. Do mar, a quantidade de fortificações, muralhas e bastiões deixa de parecer exagero e passa a ser uma resposta óbvia à posição estratégica da ilha no centro do Mediterrâneo. Quem controlava esses portos controlava também uma das rotas mais importantes da região.



Vista do Passeio de Barco pelas 3 Cidades e Portos de Malta
O trajeto passa por pontos como Manoel Island e o Fort Manoel, pelas muralhas de Valletta e pelo Fort St. Elmo, que marca a entrada do Grand Harbour. Ao entrar no Grand Harbour, surgem as Three Cities, nome coletivo para Vittoriosa, Senglea e Cospicua. Vittoriosa, também chamada de Birgu, foi a primeira sede dos Cavaleiros da Ordem de São João em Malta, ainda em 1530, e abriga o imponente Fort St. Angelo, uma das estruturas mais importantes do cerco. Senglea, ou L-Isla, ficou conhecida como a “cidade invicta” por não ter sido conquistada durante o ataque otomano, enquanto Cospicua, a maior das três, sempre teve forte ligação com a atividade naval e os estaleiros, especialmente durante o período britânico. O cruzeiro também passa por áreas de estaleiros e zonas industriais que, à primeira vista, podem parecer menos interessantes, mas que ajudam a completar a narrativa de Malta como uma base naval estratégica ao longo dos séculos. Durante o domínio britânico, a ilha se consolidou como um dos principais pontos militares do Mediterrâneo, o que também explica os intensos bombardeios sofridos durante a Segunda Guerra Mundial. No retorno a Sliema, o passeio deixa uma sensação muito clara de leitura do território. Mais do que um simples tour panorâmico, ele funciona como uma espécie de mapa vivo de Malta, conectando lugares que, vistos apenas em fotos ou no papel, poderiam parecer desconectados.



Vista do Passeio de Barco pelas 3 Cidades e Portos de Malta
No total, foi um dia leve, mas extremamente eficiente para uma primeira aproximação com Malta. Entre a caminhada por Sliema, as paradas em Sliema Beach e Fond Għadir Beach, a vista de Tigné Point e o cruzeiro pelos portos, consegui ter uma introdução muito completa à ilha sem precisar de grandes deslocamentos, o que faz desse roteiro uma ótima escolha para o dia da chegada.
Dia 2
- Ferry para Valletta
- Fort St. Elmo
- Lower Barrakka Gardens
- Merchants Street
- Republic Street
- Grand Master’s Palace
- Co-Catedral de São João
- Caravaggio Centre
- Upper Barrakka Gardens
- Mellieħa Bay
- Pub Crawl em Paceville
O segundo dia foi um dos mais completos e intensos de toda a viagem. Saí da região de Gżira caminhando até Sliema Ferries, de onde partem os barcos para Valletta. Embora também seja possível fazer o trajeto de ônibus ou carro, o ferry é muito mais rápido e ainda transforma o deslocamento em passeio. A travessia leva cerca de 10 a 15 minutos e oferece uma vista linda das muralhas da capital, que vão ficando cada vez maiores conforme o barco se aproxima. O bilhete diurno custa €3 por trecho ou €5 ida e volta para adultos (preços de junho de 2026). Como este roteiro termina em outra região da ilha, o bilhete avulso pode fazer mais sentido. As embarcações costumam sair aproximadamente a cada 30 minutos, mas os horários mudam conforme a época do ano e as condições do mar, por isso vale conferir o cronograma oficial da Valletta Ferry Services antes de sair. O bilhete pode ser comprado diretamente no terminal.


Vista da chegada em Valleta pelo mar e a Waterfront de Valleta
Chegar a Valletta pelo mar é uma experiência completamente diferente de entrar pela região do City Gate. O ferry desembarca na parte baixa da cidade, junto ao Marsamxett Harbour, e logo começa uma sequência de subidas e escadarias que lembra que Valletta foi construída sobre uma península fortificada. Apesar de compacta, a capital é cheia de desníveis, então sapatos confortáveis fazem bastante diferença. Minha primeira atração do dia foi o Fort St. Elmo, localizado na ponta da península, exatamente entre o Marsamxett Harbour e o Grand Harbour. Depois de vê-lo de longe durante o cruzeiro do dia anterior, foi interessante finalmente caminhar por dentro de uma estrutura que ajuda a explicar boa parte da história de Malta. O forte ficou conhecido principalmente por sua resistência durante o Grande Cerco de 1565. Embora tenha acabado sendo tomado pelos otomanos, conseguiu resistir por quase um mês, tempo suficiente para enfraquecer as tropas invasoras e permitir que os defensores malteses se reorganizassem. Essa história aparece novamente em vários lugares da ilha, mas dentro do forte ela fica muito mais concreta: é possível caminhar pelos bastiões, observar a posição dos canhões e enxergar os dois portos que tornavam aquele pedaço de terra tão estratégico. O ingresso adulto custa €10 (preços junho de 2026) e pode ser comprado antecipadamente no site oficial da Heritage Malta.


Vista a partir do Fort St. Elmo
Saindo do Forte, fiz um pequeno desvio pela orla de Valletta, passando pela praia da cidade. O caminho à beira-mar oferece vistas belíssimas do Grand Harbour, com o contraste entre as muralhas douradas, o azul intenso da água e os barcos ancorados ao longo da costa, um dos trechos mais fotogênicos de todo o percurso. Segui pelas muralhas até os Lower Barrakka Gardens, um pequeno jardim público com vista para a entrada do Grand Harbour, o quebra-mar e as fortificações do outro lado da baía. A entrada é gratuita e o ambiente costuma ser bem mais tranquilo do que nos Upper Barrakka Gardens, o que faz desse um ótimo lugar para sentar por alguns minutos e descansar. No centro do jardim está um monumento neoclássico que lembra um pequeno templo grego, dedicado a Sir Alexander Ball, um oficial da Marinha britânica que teve um papel importante durante o período de transição entre o domínio francês e o britânico. Mais do que a história do monumento, o que chama atenção é o contraste entre suas colunas claras, as palmeiras e o azul intenso do porto.



Lower Barrakka Gardens, vista e orla de Valleta
Depois, comecei a retornar em direção ao centro passando pela Merchants Street, ou Triq il-Merkanti em maltês. A rua corre praticamente paralela à Republic Street, mas tem uma atmosfera um pouco diferente. Entre palácios antigos, prédios governamentais, igrejas, lojas e cafés, ela conserva algo do cotidiano de Valletta e parece menos cerimonial do que a avenida principal. Em seguida, caminhei pela Republic Street, a principal via de Valletta. Ela atravessa praticamente toda a cidade, ligando o City Gate ao Fort St. Elmo, e concentra alguns dos edifícios mais importantes da capital. É uma rua movimentada, com lojas, cafés, varandas maltesas, músicos de rua e pequenas praças que aparecem entre uma construção e outra. Entre a Merchants Street e a Republic Street está uma das ruas mais famosas de Malta, a Triq San Ġwann (St. John Street). Curta, estreita e sempre movimentada, ela funciona como uma ligação natural entre as duas vias principais e concentra pequenos cafés, lojas e passagens que revelam o lado mais cotidiano do centro histórico. Apesar de discreta, é uma daquelas ruas que ajudam a entender o ritmo real de Valletta, longe dos grandes monumentos. Mais do que simplesmente seguir de uma atração para a próxima, vale observar as fachadas. Valletta tem uma arquitetura relativamente uniforme, marcada pelo tom dourado do calcário maltês, mas cada prédio ganha personalidade por meio das portas, dos brasões e das tradicionais varandas fechadas e coloridas. Dependendo da luz, a cidade muda completamente de cor ao longo do dia.



Valleta
Na St. George’s Square está o Grand Master’s Palace, durante séculos o principal centro de poder de Malta. O edifício foi residência dos grão-mestres da Ordem de São João, depois serviu aos governadores britânicos e atualmente abriga o gabinete do presidente do país. Por fora, sua fachada é relativamente discreta, mas o interior revela corredores monumentais, pátios, salas de Estado e tetos decorados. O ingresso adulto custa €12 e pode ser comprado antecipadamente no site oficial da Heritage Malta. Como o palácio continua sendo utilizado em funções oficiais, determinadas salas podem fechar sem muita antecedência.


Biblioteca Nacional de Malta e St. George’s Square
Pouco depois, cheguei à Co-Catedral de São João, um dos lugares que mais surpreendem em Valletta. A fachada é austera e quase militar, sem dar grandes pistas do que existe em seu interior. Assim que se entra, porém, tudo muda: paredes cobertas por detalhes dourados, capelas ricamente decoradas, esculturas, pinturas e um teto que parece transformar toda a nave em uma única obra de arte. O termo “co-catedral” costuma gerar certa confusão. Ela recebe esse nome porque divide a função de sede da Arquidiocese de Malta com a Catedral de São Paulo, em Mdina. Originalmente, o edifício foi criado como igreja conventual dos Cavaleiros da Ordem de São João, e sua decoração reflete a riqueza e o prestígio que a Ordem acumulou.



Co-Catedral de São João
As capelas laterais eram associadas às diferentes langues, os grupos formados pelos cavaleiros conforme sua região de origem. Cada um procurava tornar sua capela mais grandiosa do que a dos demais, o que ajuda a explicar a quantidade de mármore, ouro, esculturas e obras de arte. No teto, as pinturas de Mattia Preti narram episódios da vida de São João Batista, enquanto o piso é formado por centenas de lápides de mármore trabalhadas com brasões, esqueletos, anjos e símbolos ligados aos cavaleiros enterrados ali. O ingresso adulto custa €15 (preços junho de 2026) e já inclui um audioguia com diferentes idiomas. Os bilhetes podem ser comprados no site oficial da Co-Catedral de São João. Lembre-se de que é necessário usar roupas adequadas para um local religioso.

Co-Catedral de São João
Dentro do mesmo circuito fica o Caravaggio Centre, que foi criado para aprofundar a passagem de Caravaggio por Malta e ajudar o visitante a perceber detalhes que poderiam passar despercebidos diante das pinturas originais. A principal obra é A Decapitação de São João Batista, exposta no oratório. Além de ser a maior pintura produzida por Caravaggio, ela também é a única que o artista assinou. A assinatura aparece discretamente no sangue que sai do pescoço do santo, um detalhe perturbador, mas muito coerente com a dramaticidade de sua obra. No mesmo espaço está São Jerônimo Escrevendo, outra pintura marcada pelo contraste intenso entre luz e sombra. Caravaggio conseguia iluminar apenas os elementos necessários para conduzir o olhar, deixando o restante da cena mergulhado na escuridão. No Caravaggio Centre, projeções em tamanho real permitem observar expressões, gestos e pequenos detalhes de A Decapitação de São João Batista. Há também recursos interativos que mostram análises feitas com luz ultravioleta e infravermelha, além de um pequeno audiovisual sobre a vida do pintor em Malta. O acesso está incluído no mesmo ingresso da Co-Catedral.



Co-Catedral de São João e Caravaggio Centre
Para encerrar a parte histórica do dia, caminhei até os Upper Barrakka Gardens, um dos mirantes mais conhecidos de Valletta. A entrada é gratuita e o terraço oferece uma vista panorâmica do Grand Harbour, do Fort St. Angelo e das Three Cities. Depois do cruzeiro do primeiro dia e de todas as visitas feitas em Valletta, reconhecer esses lugares do alto dá uma sensação muito interessante de finalmente compreender a geografia da região. Logo abaixo dos jardins fica a Saluting Battery, uma antiga bateria de artilharia onde canhões cerimoniais são disparados de segunda a sábado, normalmente ao meio-dia e às 16h. É possível observar os canhões do terraço superior, mas quem quiser entrar na área da bateria precisa de um ingresso separado, a entrada adulta custava €3 e podia ser comprada no site oficial da Saluting Battery.


Upper Barrakka Gardens
Depois de uma manhã e começo de tarde completamente dedicados à história, deixei Valletta e segui para Mellieħa Bay, no norte da ilha. Fui e voltei de carro por aplicativo (Bolt), o trajeto é mais rápido, mas o preço varia bastante conforme o horário. Também conhecida como Għadira Bay, Mellieħa Bay é a maior praia de areia de Malta. Depois de encontrar tantas praias rochosas em Sliema, chegar a uma faixa ampla de areia clara trouxe uma mudança completa de cenário. A água é rasa por uma boa distância e geralmente tranquila, o que torna o banho muito agradável. Não é uma praia isolada ou selvagem: há hotéis, restaurantes, quiosques, espreguiçadeiras e guarda-sóis espalhados pela orla. A entrada na praia é gratuita, mas o aluguel dos equipamentos é cobrado separadamente e os valores variam conforme o estabelecimento e a época do ano. Como visitei Malta no início de junho, ainda havia bastante luz no fim da tarde, o que permitiu aproveitar a praia mesmo depois de um dia inteiro em Valletta.

Għadira Bay / Mellieħa Bay
Para terminar a noite, fui até Paceville, o principal centro de vida noturna de Malta. Localizada na região de St. Julian’s, Paceville concentra bares, pubs, casas noturnas, restaurantes e clubes em poucas ruas. É uma área barulhenta, movimentada e bastante turística, muito diferente da atmosfera histórica de Valletta, mas perfeita para quem quer conhecer o lado mais festivo da ilha. Eu escolhi participar de um Pub Crawl, um passeio em grupo que passa por diferentes bares e termina em um clube/balada. Para quem viaja sozinha, esse formato é especialmente interessante porque facilita conhecer outras pessoas e evita ter que escolher e entrar nos lugares por conta própria. O ingresso custa partir de €20 e inclui três bares, dois clubes e cinco bebidas e pode ser reservado pelo GetYourGuide.


Paceville
Foi um dia extremamente diverso, que começou diante das fortificações de Valletta, passou por palácios, jardins e algumas das obras de arte mais importantes de Malta, ganhou uma pausa diante do mar em Mellieħa e terminou entre bares e clubes em Paceville. É um roteiro intenso, mas que mostra de maneira muito clara as diferentes faces do país.
Dia 3
- Marsaxlokk
- Wied iż-Żurrieq
- Blue Grotto
- Qrendi
- Tarde livre
O terceiro dia foi para conhecer o sul de Malta. Para fazer esse percurso, eu optei por fazer uma excursão organizada, onde paguei €38 no GetYourGuide (valores de junho de 2026). Embora Malta seja pequena, ligar todos esses lugares de transporte público exige algumas trocas de ônibus e pode consumir boa parte do dia, então excursões são uma boa saída para quem está sem carro. O passeio dura aproximadamente quatro horas, inclui transporte, guia e embarque em pontos próximos às principais regiões hoteleiras. A primeira parada foi Marsaxlokk, uma pequena vila pesqueira localizada no sudeste de Malta. O próprio nome já revela sua relação com o mar: marsa significa porto, enquanto xlokk está ligado à direção sudeste e ao vento que sopra dessa parte do Mediterrâneo. Embora hoje o local receba muitos visitantes, a pesca continua sendo uma parte importante da identidade da vila.



Marsaxlokk
A imagem mais conhecida de Marsaxlokk é formada pelos tradicionais barcos malteses chamados luzzu, pintados em cores fortes como azul, amarelo, vermelho e verde. Muitos deles têm um par de olhos desenhado na proa, tradição geralmente associada aos antigos navegadores fenícios. Esses olhos, conhecidos como olhos de Osíris ou de Hórus, funcionariam como uma espécie de amuleto para proteger os pescadores e ajudá-los a encontrar o caminho de volta para casa. Como visitei Marsaxlokk em um domingo, esse também era o dia tradicional do mercado montado ao longo da orla. Ele ficou conhecido como mercado de peixes, mas atualmente reúne muito mais do que pescados: há barracas de frutas, legumes, mel, conservas, doces malteses, rendas, roupas, acessórios e lembrancinhas. Em frente à orla também está a Igreja de Nossa Senhora de Pompeia, cuja fachada domina a pequena praça central. A devoção religiosa está profundamente ligada à vida das vilas maltesas, e Marsaxlokk não é exceção.


Igreja de Nossa Senhora de Pompeia e olhos de Osíris
Depois, seguimos em direção a Wied iż-Żurrieq, um pequeno porto encaixado entre as falésias da costa sul. O termo wied significa vale em maltês, e a paisagem realmente parece um vale estreito que termina diretamente no Mediterrâneo. Perto da costa está a Xutu Tower, uma antiga torre de observação que fazia parte do sistema utilizado para vigiar a aproximação de embarcações inimigas. Hoje, ela parece quase pequena diante da dimensão das falésias. Antes de descer para o porto, vale parar no Blue Grotto Viewpoint, o mirante gratuito de onde se enxerga o enorme arco natural recortado na rocha. Essa é a vista panorâmica clássica da Blue Grotto e não deve ser confundida com o passeio de barco. Do alto, é possível compreender a formação da costa e observar como a abertura principal parece criar uma ponte de pedra sobre o mar.


Blue Grotto Viewpoint e Xutu Tower
O pequeno porto de Wied iż-Żurrieq é o ponto de partida dos barcos para a Blue Grotto. Há alguns restaurantes, escolas de mergulho e uma bilheteria próxima à descida para o cais, mas o ambiente continua muito mais ligado ao mar do que ao turismo urbano. Os barcos utilizados no passeio são pequenos, o que permite entrar nas cavernas e se aproximar das formações rochosas. É importante entender que a Blue Grotto não é apenas uma única caverna. O nome se refere a um conjunto de cavernas marinhas e arcos naturais formados pela erosão do calcário. O passeio de barco dura aproximadamente 20 a 25 minutos e passa por diferentes formações, como a Honeymoon Cave, a Cat’s Cave e a Reflection Cave. A grande atração está nas cores da água: conforme a luz atravessa a superfície e se reflete no fundo claro, surgem tons que variam entre azul-cobalto, turquesa e verde. Em alguns trechos, a claridade parece vir de baixo, iluminando as paredes das cavernas. O passeio de barco é opcional, custa €10 (valores de junho de 2026) e precisa ser pago no local, preferencialmente em dinheiro.



Blue Grotto
A última parada foi Qrendi, um vilarejo que representa um lado mais simples, silencioso e cotidiano de Malta. Depois da movimentação de Marsaxlokk e do cenário grandioso da Blue Grotto, caminhar por suas ruas estreitas trouxe outra mudança de ritmo. O centro de Qrendi se organiza ao redor da igreja paroquial dedicada à Assunção de Nossa Senhora. Ao redor dela aparecem casas de pedra, varandas fechadas, clubes de banda e pequenos nichos religiosos esculpidos nas fachadas. Esses detalhes ajudam a perceber como a fé está integrada à paisagem urbana maltesa: não apenas dentro das igrejas, mas nas portas, nas esquinas e nos símbolos que fazem parte da vida dos moradores.


Qrendi
Eu preferi deixar o restante do dia livre. Depois de uma noite em Paceville e antes de um passeio longo por Gozo e Comino, ter algumas horas sem reservas ou horários obrigatórios foi uma escolha estratégica. Uma tarde livre durante uma viagem não significa necessariamente tempo desperdiçado: pode ser a oportunidade de almoçar sem pressa, descansar, aproveitar a região da hospedagem ou aproveitar algum dos beach clubs. Para quem ainda estiver com energia, é possível retornar à orla de Sliema, nadar em alguma das áreas rochosas, visitar os templos megalíticos, permanecer mais tempo em Marsaxlokk ou pegar um uber e ir visitar algum outro lugar da ilha, como Mdina, que à noite é surreal de linda. Outra dica é caminhar no calçadão de Sliema à noite, que rende uma das vistas mais lindas de Valleta, iluminada. Mas também vale simplesmente aceitar uma pausa, especialmente em um roteiro tão intenso quanto este.



Vistas Noturnas e Mdina e de Valleta
No total, foi uma manhã que mostrou um lado completamente diferente de Malta. Marsaxlokk revelou a relação cotidiana do país com a pesca e o mar; Wied iż-Żurrieq trouxe o cenário dramático das falésias; a Blue Grotto entregou um azul quase inacreditável; e Qrendi encerrou o passeio com a simplicidade de uma vila moldada pela tradição e pela fé. Um roteiro curto, mas muito eficiente para conhecer a costa sul sem ocupar o dia inteiro.
Dia 4
- Gozo (tour de quadriciclo)
- Ta’ Ċenċ Cliffs
- Xlendi Bay
- Dwejra
- Inland Sea
- Fungus Rock
- Basílica de Ta’ Pinu
- Wied il-Għasri
- Salinas de Xwejni
- Marsalforn
- Comino
- Blue Lagoon
- Crystal Lagoon
O quarto dia foi um dos mais intensos e aventureiros de todo o roteiro: dia de tour de quadriciclo por Gozo com um passeio de barco ao redor de Comino, passando por algumas das paisagens naturais mais impressionantes do arquipélago. Embora seja a segunda maior ilha do arquipélago maltês, Gozo tem uma atmosfera bem diferente da ilha principal. A paisagem é mais rural, as cidades são menores e, entre uma atração e outra, aparecem campos cultivados, muros de pedra, pequenas igrejas e estradas estreitas cercadas por vegetação. O quadriciclo acaba sendo uma ótima forma de conhecer esse lado da ilha, já que permite chegar a mirantes, vales e trechos de costa que seriam mais difíceis de acessar de ônibus. Para fazer esse passeio contratei o tour oferecido pela Yippee Malta e pode ser reservado pelo site oficial da empresa ou pelo GetYourGuide. O passeio dura aproximadamente 7 horas, sem contar o tempo dos traslados, e inclui transporte a partir de Malta, travessias de barco, quadriciclo, combustível, capacete, guia, seguro contra terceiros, uma refeição leve (marmita) e o retorno passando por Comino e custa €115 (você dirige seu próprio quadriciclo, mas também existe a opção de ir na garupa). Para dirigir, é preciso ter pelo menos 21 anos, apresentar a carteira de habilitação original e válida.


Barco para Gozo e Passeio de Quadricilo pela Ilha de Gozo
O traslado costuma buscar os participantes em hotéis ou pontos próximos às hospedagens entre 8h e 9h15, dependendo da região. Depois, o grupo segue até Marfa ou Ċirkewwa, no norte de Malta, de onde parte a embarcação para o porto de Mġarr, em Gozo. Depois da travessia e das instruções de segurança, começou o circuito de quadriciclo por Gozo. Uma das primeiras grandes paisagens do dia foi a região de Ta’ Ċenċ Cliffs, no sul da ilha. Esse trecho do litoral é marcado por enormes paredões de calcário que despencam diretamente sobre o Mediterrâneo, cercados por campos, trilhas e antigos muros de pedra. A visita durante o passeio de quadriciclo é relativamente rápida e concentrada em um ou dois mirantes. Não há ingresso nem uma estrutura turística propriamente dita, já que essa é uma atração totalmente natural.

Xlendi Bay e Ta’ Ċenċ Cliffs
Seguindo pela costa, o trajeto chegou a um mirante sobre Xlendi Bay, uma pequena baía cercada por falésias. Xlendi começou como uma vila de pescadores, mas hoje é uma das áreas litorâneas mais conhecidas de Gozo, com restaurantes, hotéis e pequenas plataformas usadas para banho de mar. Vista de cima, a baía parece quase um corredor aberto entre as rochas, com barcos concentrados na parte mais protegida e o mar se alargando em direção ao horizonte. Na entrada da baía está a Xlendi Tower, considerada a torre costeira independente mais antiga de Gozo. Ela foi construída para observar a aproximação de piratas, contrabandistas e embarcações que tentavam entrar na ilha sem passar pelos controles sanitários. Hoje, a torre completa uma das paisagens mais bonitas da região. No tour de quadriciclo, Xlendi Bay costuma ser uma parada panorâmica e outra rápida parada na orla. Ainda assim, o mirante permite compreender muito bem o formato da baía e a posição estratégica da antiga torre.

Xlendi Bay
A parada seguinte foi Dwejra, uma das áreas naturais mais impressionantes de Gozo. O lugar parece um enorme anfiteatro geológico, formado por falésias, cavernas, piscinas naturais e blocos de calcário constantemente transformados pelo vento e pelo mar. Mesmo em um país repleto de formações costeiras, Dwejra consegue se destacar. Durante muitos anos, o principal símbolo da região foi a Azure Window, um gigantesco arco natural de pedra que se projetava sobre o Mediterrâneo. A estrutura desabou durante uma tempestade em 2017, mas o desaparecimento do arco não significa que Dwejra tenha perdido sua importância. A paisagem continua espetacular e reúne atrações como o Blue Hole, a Dwejra Bay, a Inland Sea, a Fungus Rock e a antiga torre de observação.



Dwejra e Inland Sea
Dentro de Dwejra fica a Inland Sea, conhecida em maltês como Il-Qawra. Apesar do nome, não é exatamente um mar interior, mas uma lagoa de água salgada formada em uma depressão circular no terreno. Ela se conecta ao Mediterrâneo por um túnel natural de aproximadamente 100 metros que atravessa a falésia. Na margem ficam antigas construções de pescadores e pequenas embarcações coloridas que realizam passeios pelo túnel. Quando o mar está calmo, os barcos atravessam a passagem escura e estreita até alcançar o mar aberto, revelando as enormes paredes de pedra pelo lado de fora. Alguns passeios ainda entram em pequenas cavernas e passam pelos pontos onde antes estava a Azure Window. A lagoa pode ser visitada gratuitamente, mas o passeio de barco é pago à parte e normalmente custa €5 por pessoa, o pagamento costuma ser feito em dinheiro diretamente aos barqueiros na margem.



Passeio de Barco saindo da Inland Sea até a região da antiga Azure Window
Depois de Dwejra, o circuito seguiu pela região da Basílica de Ta’ Pinu, um dos lugares religiosos mais importantes de Malta. A igreja surge praticamente sozinha em meio aos campos de Gozo, com sua fachada de pedra clara e uma grande torre que pode ser vista de vários pontos da região. Mesmo para quem não tem interesse religioso, o cenário já torna o lugar bastante especial. A história de Ta’ Pinu está ligada a Karmni Grima, uma moradora de Gozo que afirmou ter ouvido uma voz pedindo que ela rezasse na pequena capela que existia ali. Outros relatos de curas e acontecimentos considerados milagrosos começaram a se espalhar, transformando o local em um importante centro de peregrinação. A grande basílica foi construída junto à antiga capela, que permanece preservada atrás do altar. No interior, o destaque está nos vitrais, mosaicos e esculturas feitas na tradicional pedra maltesa. Há também uma coleção de ex-votos: cartas, fotografias, muletas e outros objetos deixados por pessoas que atribuem alguma cura ou graça à intercessão de Nossa Senhora de Ta’ Pinu.



Basílica de Ta’ Pinu
Na sequência, o caminho passou por Wied il-Għasri, um vale estreito que termina em uma pequena enseada cercada por paredões de pedra. Vista de cima, a água parece formar uma faixa azul que avança para dentro da ilha, quase escondida entre as falésias, mas no tour, a passagem por esse ponto costuma ser rápida ou uma parada em um ponto panorâmico, sem tempo para descer até a enseada. Pouco depois, cheguei às Salinas de Xwejni, uma das paisagens mais diferentes de Gozo. Centenas de pequenos reservatórios quadrados foram escavados diretamente no calcário, criando um enorme tabuleiro geométrico junto ao mar. Dependendo da luz, as piscinas refletem o céu ou aparecem cobertas por uma camada branca de sal. A produção funciona de maneira bastante simples: a água do mar é conduzida até reservatórios rasos e, com o calor do verão, evapora lentamente, deixando os cristais de sal para trás. Depois, o sal é recolhido, seco e armazenado em pequenas cavernas escavadas na rocha. A técnica é muito antiga e continua sendo mantida por famílias locais ao longo de gerações.


Salinas de Xwejni
O trecho final do circuito terrestre passou por Marsalforn, uma antiga vila de pescadores que se transformou em um dos principais destinos de verão de Gozo. A baía é cercada por apartamentos, restaurantes e cafés, mas ainda conserva barcos de pesca e uma ligação muito forte com o mar. Depois de devolver os quadriciclos, começou a parte final do dia: o retorno de barco passando por Comino. Essa pequena ilha fica entre Malta e Gozo e é praticamente desabitada, mas possui algumas das águas mais famosas do país. Do barco, também é possível observar cavernas, enseadas e a St. Mary’s Tower, antiga torre de vigilância construída no alto da ilha.


Blue Lagoon
A primeira grande atração é a Blue Lagoon, uma faixa de mar protegida entre Comino e o pequeno ilhéu de Cominotto. A cor quase artificial da água é resultado da combinação entre pouca profundidade, enorme transparência e um fundo muito claro, que reflete a luz do sol e cria aqueles tons intensos de azul-turquesa. Apesar do nome, a Blue Lagoon não é uma praia ampla de areia. O espaço em terra é pequeno, rochoso e pode ficar bastante movimentado durante o verão. A melhor parte da experiência está realmente na água ou na vista a partir do barco. A Crystal Lagoon fica do outro lado de Comino e tem uma aparência um pouco diferente. A água continua extremamente transparente, mas a baía é mais profunda e cercada por falésias e cavernas. Por ser mais facilmente acessada por embarcações, costuma ter menos pessoas em terra e é especialmente procurada para snorkel e mergulho. No tour, tivemos uma parada rápida para mergulho na Blue Lagoon, sem tempo de explorar a ilha de Comino, apenas vista panorâmica do barco.

Crystal Lagoon
No fim da tarde, o barco retorna a Marfa ou Ċirkewwa, onde o transporte da empresa leva os participantes de volta aos pontos de encontro. Foi um roteiro cheio e com paradas relativamente rápidas, mas extremamente eficiente para ter uma visão geral de Gozo. O quadriciclo permitiu combinar falésias, baías, tradições rurais, locais religiosos e formações geológicas em um único circuito, enquanto o retorno por Comino encerrou o dia com algumas das águas mais bonitas de Malta. Ao mesmo tempo, esse passeio deixa claro que Gozo tem muito mais para oferecer do que cabe em algumas horas. Para quem gosta de conhecer os lugares com calma, entrar nas igrejas, fazer trilhas ou passar mais tempo nas praias, a ilha facilmente mereceria pelo menos mais um dia. Ainda assim, para uma primeira visita e dentro de um roteiro mais curto por Malta, o tour de quadriciclo foi uma das formas mais completas e divertidas de descobrir a ilha.
Dia 5
- Mdina
- Rabat
- Catacumbas de St. Cataldus
- Dingli Cliffs
- San Anton Gardens
- Ta’ Qali Crafts Village
- Mosta Rotunda
O quinto dia trocou o litoral pelo interior de Malta e reuniu algumas das paisagens históricas mais interessantes da ilha. Para conseguir visitar tantos lugares sem depender dos ônibus, escolhi fazer uma excursão organizada de dia inteiro, que contratei pelo GetYourGuide e custa €69. O passeio dura aproximadamente oito horas e inclui traslado a partir de hotéis ou pontos de encontro selecionados, transporte em ônibus com ar-condicionado, guia credenciado, almoço com menu fixo e uma taça de vinho, além dos ingressos para as Catacumbas de St. Cataldus e para a Mosta Rotunda. A primeira parada foi Mdina, a antiga capital de Malta e uma das cidades mais bonitas do país. Construída sobre uma área elevada e completamente cercada por muralhas, ela parece quase isolada do restante da ilha. Basta atravessar o portão principal para que o trânsito, os prédios modernos e a movimentação do lado de fora desapareçam atrás de ruas estreitas, palácios antigos e fachadas inteiramente construídas com o calcário dourado maltês. O próprio nome da cidade revela parte de sua história. “Mdina” vem da palavra árabe medina, que significa simplesmente “cidade”. Durante séculos, esse foi o centro político, religioso e administrativo de Malta. Fenícios, romanos, árabes, nobres europeus e cavaleiros deixaram marcas em sua arquitetura, fazendo com que o centro histórico misture elementos medievais, normandos e barrocos sem parecer um cenário artificial.


Mdina
Mdina também é conhecida como a Silent City, ou Cidade Silenciosa. O apelido está ligado tanto à perda de sua função como capital quanto ao fato de que pouquíssimos veículos podem circular dentro das muralhas. Ainda hoje, a cidade tem poucos moradores e grande parte dos edifícios pertence a antigas famílias maltesas. Durante o dia, porém, não espere encontrar silêncio absoluto: excursões e visitantes movimentam bastante as ruas. A atmosfera muda completamente no início da manhã e no fim da tarde, quando os grupos começam a ir embora. A entrada mais conhecida é o Mdina Gate, um portão barroco ligado à cidade por uma pequena ponte sobre o antigo fosso defensivo. Durante a caminhada guiada, passei pelo Vilhena Palace, um imponente palácio barroco localizado logo depois do portão principal. Atualmente, o edifício abriga o Museu Nacional de História Natural, mas, dentro do tempo disponível na excursão, a visita costuma ser apenas externa. O grande monumento do centro histórico é a Catedral de São Paulo, localizada em uma praça ampla que contrasta com as ruas estreitas ao redor. Segundo a tradição cristã, a igreja foi construída na região onde o governador romano Publius teria recebido São Paulo depois de seu naufrágio em Malta.


Mdina e Catedral de São Paulo
Outro ponto que vale procurar é a área dos Bastion Walls, de onde se tem uma vista panorâmica de boa parte da ilha. A posição elevada ajuda a compreender por que Mdina foi escolhida como capital e como centro defensivo durante tanto tempo. Dali, é possível avistar vilas, campos, igrejas e até o mar ao longe, mostrando como Malta é pequena, mas bastante densamente ocupada. Mais do que uma sequência de monumentos, o grande encanto de Mdina está nos detalhes. Portas coloridas, puxadores trabalhados, brasões de famílias nobres, pequenas imagens religiosas e varandas fechadas surgem a cada esquina.

Bastion Walls
Depois de explorar a cidade, saímos pelo Greeks Gate, um dos acessos históricos das muralhas, e seguimos a pé para Rabat. A separação entre as duas cidades é tão pequena que muitas vezes parece que estamos apenas atravessando de um bairro para outro, mas a atmosfera muda quase imediatamente. Se “Mdina” significa cidade, “Rabat” vem de uma palavra árabe associada ao subúrbio ou à área localizada fora das muralhas. Na época romana, as duas regiões formavam uma única cidade chamada Melite, muito maior do que a Mdina atual. Com o passar dos séculos, o núcleo fortificado foi reduzido e as áreas externas continuaram se desenvolvendo como Rabat. Enquanto Mdina parece um grande conjunto histórico preservado, Rabat tem uma sensação mais cotidiana. Há moradores circulando, lojas, cafés, casas com varandas maltesas e pequenas praças cheias de movimento. A cidade também concentra vários sítios arqueológicos e religiosos ligados à passagem dos romanos e ao início do cristianismo em Malta. Durante a caminhada, passamos pela região da Basílica de São Paulo, construída sobre uma gruta onde, segundo a tradição, o apóstolo teria vivido depois de naufragar na ilha. O tempo em Rabat é relativamente curto, então a excursão não inclui uma visita completa à basílica ou à gruta. O principal destino ali são as catacumbas.



Rabat
A visita foi às Catacumbas de St. Cataldus, e aqui é importante não confundir o lugar com as Catacumbas de São Paulo, que também ficam em Rabat. As de São Paulo formam um complexo muito maior, administrado pela Heritage Malta, enquanto as de St. Cataldus são menores, mais intimistas e ficam sob uma pequena igreja dedicada ao santo. O nome “St. Cataldus” vem da igreja construída sobre o local, mas as estruturas subterrâneas são muito mais antigas. Um dos elementos mais curiosos é a chamada agape table, uma mesa circular escavada diretamente na rocha. Acredita-se que essas mesas fossem utilizadas durante refeições comemorativas realizadas em homenagem aos mortos.


Catacumbas de St. Cataldus
Saindo de Rabat, seguimos para Dingli Cliffs, na costa oeste da ilha. Com aproximadamente 253 metros de altitude em seu ponto mais elevado, essa é a região mais alta de Malta. Depois de tantas cidades construídas em pedra, encontrar uma paisagem completamente aberta, com campos, falésias e o Mediterrâneo se estendendo até o horizonte, trouxe uma mudança muito agradável ao roteiro. A vista inclui plantações organizadas em terraços, formações rochosas e, em dias claros, a pequena ilha desabitada de Filfla. Próximo ao mirante também está uma capela dedicada a Santa Maria Madalena, construída praticamente à beira do penhasco e cercada por uma paisagem bastante isolada.


Dingli Cliffs
Na parte da tarde, seguimos para San Anton Gardens, na região de Attard. Os jardins foram criados ao redor da residência de verão do grão-mestre Antoine de Paule e, ao longo do tempo, transformaram-se em um dos espaços verdes mais conhecidos de Malta. O palácio localizado dentro da propriedade é atualmente a residência oficial do presidente maltês e, em condições normais, não fica aberto à visitação. Já os jardins podem ser explorados gratuitamente. O contraste com as paisagens secas e rochosas vistas durante boa parte da viagem é enorme: os caminhos são cercados por árvores antigas, palmeiras, ciprestes, flores, fontes ornamentais e pequenos lagos.



San Anton Gardens
A parada seguinte foi o Ta’ Qali Crafts Village, um espaço dedicado ao artesanato maltês. Atualmente, é possível encontrar trabalhos em vidro soprado, cerâmica, filigrana, joalheria, renda, madeira, metal e pedra calcária. O grande destaque costuma ser a produção de vidro. Em algumas oficinas, os visitantes conseguem observar os artesãos retirando o vidro incandescente dos fornos, acrescentando cores e moldando vasos, esculturas e objetos decorativos. A rapidez com que uma massa quase líquida se transforma em uma peça delicada torna a demonstração muito mais interessante do que simplesmente olhar os produtos prontos na loja.

Ta’ Qali Crafts Village
A última atração do dia foi a Mosta Rotunda, oficialmente chamada de Basílica Santuário da Assunção de Nossa Senhora. A igreja domina completamente o centro de Mosta e pode ser vista de longe graças à sua enorme cúpula. O projeto foi inspirado no Panteão de Roma, algo que fica evidente na fachada com colunas e no formato circular do edifício. A cúpula é considerada uma das maiores estruturas desse tipo construídas em alvenaria e sem suporte interno. Do lado de fora, a escala já impressiona, mas é somente ao entrar e olhar para cima que se percebe o tamanho real do espaço. O interior é relativamente claro, com tons de azul, branco e dourado, além de pinturas, esculturas, altares e um piso de mármore trabalhado. Uma galeria interna permite observar a nave de um ponto mais alto e enxergar os detalhes da cúpula com maior proximidade. Apesar da arquitetura grandiosa, a história mais conhecida da Mosta Rotunda aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Em 9 de abril de 1942, uma bomba atravessou a cúpula enquanto centenas de pessoas participavam de uma celebração religiosa. Ela caiu dentro da igreja, mas não explodiu. Ninguém morreu, e o episódio passou a ser interpretado pelos moradores como o “Milagre de Mosta”.



Mosta Rotunda
Foi um dia cheio, mas com uma sequência que fez bastante sentido. Mdina apresentou o passado político e nobre de Malta; Rabat revelou as camadas romanas e cristãs escondidas sob a cidade; Dingli Cliffs trouxe uma pausa diante da natureza; San Anton Gardens mostrou um lado mais verde e tranquilo; Ta’ Qali apresentou parte do trabalho artesanal; e a Mosta Rotunda encerrou o percurso reunindo arquitetura, fé e uma das histórias mais impressionantes da Segunda Guerra Mundial na ilha.
Dia 6
- Golden Bay
- Cruzeiro ao pôr do sol
- Comino
- Blue Lagoon
O último dia teve um ritmo mais leve e completamente voltado para o mar. Comecei a manhã em Golden Bay, uma das praias de areia mais bonitas de Malta. Saindo da região de Gżira e Sliema, é possível chegar diretamente a Golden Bay utilizando o ônibus ou transporte de aplicativo. Eu usei o Bolt. Localizada na costa noroeste da ilha, Golden Bay (chamada de Il-Mixquqa em maltês) é uma das praias de areia mais conhecidas de Malta. Depois de tantos trechos de costa rochosa, plataformas de pedra e escadas que levam diretamente ao mar, encontrar uma faixa ampla de areia dourada parece quase uma mudança de país. A baía é cercada por encostas de calcário e vegetação baixa, com uma paisagem bem mais aberta do que a encontrada nas regiões urbanas de Sliema e St. Julian’s. O mar costuma apresentar diferentes tons de azul, mas a cor e a transparência variam bastante conforme o vento. Como a praia está voltada para o noroeste e é relativamente exposta, também pode haver ondas e correntes fortes, mesmo quando a água parece tranquila. Há restaurantes, bares, banheiros, empresas de esportes aquáticos e pontos de aluguel de espreguiçadeiras e guarda-sóis, mas esses serviços são cobrados separadamente e os preços variam conforme a época e a empresa responsável. Quem quiser economizar pode simplesmente levar uma toalha e escolher um espaço livre na areia.


Golden Bay
Reservei a manhã e o começo da tarde para aproveitar Golden Bay sem pressa. Esse tempo mais livre também funciona como uma margem de segurança importante, porque a segunda parte do dia depende do horário exato do cruzeiro. Antes de sair da praia, vale trocar a roupa molhada, reaplicar o protetor solar e separar uma camiseta ou casaco leve para o retorno: mesmo nos meses quentes, o vento no barco pode ficar frio depois que o sol desaparece. Depois da praia, segui de Bolt para o ponto de embarque para fazer o cruzeiro ao pôr do sol, saindo de Buġibba Jetty. Paguei €30 no GetYourGuide. O passeio dura aproximadamente 4 a 4h30 e inclui uma parada prolongada para banho na Blue Lagoon, onde é possível descer do barco para visitar a ilha de Comino a pé e retorno durante o pôr do sol. Quem pretende descer do barco para explorar Comino precisa observar uma regra introduzida para controlar o número de visitantes na Blue Lagoon. Atualmente, qualquer pessoa que coloque os pés em terra na área precisa apresentar um QR Code gratuito, reservado antecipadamente no site oficial da Blue Lagoon.



Passeio para Comino e Blue Lagoon
Assim que o barco deixa a costa de Malta, a paisagem urbana vai sendo substituída por falésias, pequenas enseadas e formações de calcário. No fim da tarde, a luz deixa tudo mais suave: o tom dourado das rochas fica mais evidente e o mar muda de cor conforme a posição do sol. Voltar a Comino neste último dia não pareceu repetitivo. Durante o passeio por Gozo, a passagem pela ilha fazia parte de uma programação muito maior e bastante intensa. Já o cruzeiro ao pôr do sol colocou Comino e o mar no centro da experiência, com mais tempo para observar a paisagem e aproveitar a água. Localizada entre Malta e Gozo, Comino é pequena, pouco habitada e coberta principalmente por vegetação baixa. Não há uma cidade para visitar nem um grande centro histórico. O interesse está justamente na paisagem natural: falésias, cavernas, pequenas enseadas e uma costa recortada que assume formas completamente diferentes quando observada do barco. Visitar a Blue Lagoon no fim da tarde tem uma vantagem importante: muitos barcos de excursão diurna já começaram o caminho de volta. Isso não significa encontrar o lugar vazio, especialmente no verão, mas a atmosfera tende a ser mais agradável do que no horário de maior movimento. Durante a parada, normalmente é possível nadar e utilizar o próprio barco como base. Algumas embarcações têm escadas de acesso ao mar, toboáguas, áreas abertas para tomar sol, assentos internos, banheiros e bar com bebidas e lanches.



Blue Lagoon
O grande momento do passeio, naturalmente, acontece quando o sol começa a se aproximar do horizonte. No início de junho, os dias em Malta são longos e o pôr do sol ocorre somente depois das 20h, permitindo aproveitar bastante a Blue Lagoon antes do retorno. À medida que a luz diminui, as rochas perdem o tom amarelo intenso e passam por cores mais quentes, enquanto o céu se mistura com o Mediterrâneo. Depois de vários dias percorrendo cidades históricas, fortalezas, falésias e praias, terminar a viagem observando Malta a partir do mar pareceu especialmente simbólico. O mar não é apenas parte da paisagem do país: ele explica sua história, sua arquitetura, suas disputas e boa parte da forma como as ilhas são vividas até hoje.


Pôr do Sol na Blue Lagoon
Foi um último dia simples, mas muito coerente com tudo o que eu havia vivido em Malta. Começou na areia dourada de Golden Bay, passou novamente pelas águas quase irreais de Comino e terminou com o sol desaparecendo sobre o Mediterrâneo. Depois de um roteiro tão cheio, não poderia imaginar uma despedida melhor do arquipélago.
Roteiro no Mapa
Usando o My Maps é possível simular o roteiro dentro do mapa do Google Maps, e construir sequências de atividades funcionais. Esse é o meu roteiro em Malta.
Orçamento Final
Abaixo estão listados os custos que eu paguei pela viagem para Malta, em junho de 2026, com câmbio de € 1 = R$ 6,00.
Na prática paguei um pouco menos do que está listado abaixo, pois consegui descontos no aéreo, hotel e em alguns passeios com milhas acumuladas, mas segue os valores originais:

É possível diminuir esses custos ao escolher uma opção de hospedagem mais econômica (como hostel, hotéis mais afastados do centro ou Airbnb), conseguindo melhores promoções no aéreo e usando milhas, usando mais transporte público e removendo alguns passeios.
Espero que este roteiro te inspire a descobrir Malta para além de seu mar absurdamente azul. Entre cidades de pedra dourada, fortalezas, falésias e ilhas que parecem esculpidas pelo Mediterrâneo, o país mostra que tamanho nunca foi medida de grandiosidade. Malta pode ser pequena no mapa, mas deixa memórias enormes, e essa art ħelwa, tão doce e singular, espera por você!

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